UFSM e Cotrirosa firmam parceria para estudar piscicultura no RS
Projeto avalia a viabilidade de fábrica de ração e de indústria de processamento de tilápia no Estado.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC) e a Cooperativa Tritícola Santa Rosa (Cotrirosa) firmaram um acordo de parceria para pesquisa, desenvolvimento e inovação com foco na piscicultura no Rio Grande do Sul. Coordenado pelo professor Rafael Lazzari, do Departamento de Zootecnia da UFSM, o projeto vai levantar dados de mercado e avaliar a viabilidade de uma fábrica de ração para peixes e de uma indústria de processamento de tilápia no Estado, informações que devem orientar a decisão da cooperativa sobre entrar no setor.
Foco na cadeia da tilápia
A equipe reúne o Departamento de Zootecnia, em Santa Maria, e o Programa de Pós-Graduação em Agronegócios da UFSM, no Campus de Palmeira das Missões. O trabalho vai mapear os diferentes elos da cadeia produtiva, com atenção especial à tilápia, principal espécie de peixe cultivada no país, além de investigar modelos de integração e estruturas contratuais entre cooperativas e produtores associados.
A pesquisa também vai identificar o perfil dos consumidores, os padrões de consumo de peixes e os canais de comercialização no atacado e no varejo do Rio Grande do Sul. Outra frente mira os fornecedores de equipamentos, insumos e alevinos, além das certificações exigidas para acessar mercados de exportação e grandes compradores internacionais.
Alternativa diante de estiagens e enchentes
A proposta surgiu do interesse da Cotrirosa em diversificar suas atividades e da identificação do potencial da piscicultura como novo modelo de negócio. Segundo Luís Eduardo Carvalho Noskoski, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Agronegócios e bolsista do projeto, a cadeia ainda tem pouca coordenação no Rio Grande do Sul, apesar do crescimento da atividade no país. "Nosso papel é prospectar o mercado, compreender essa dinâmica por meio da pesquisa, criar ferramentas para a tomada de decisão e realizar estudos de viabilidade", afirma.
Para Noskoski, que também atua no Departamento de Inovação da Cotrirosa, a estruturação da cadeia pode representar uma alternativa de diversificação para produtores rurais que enfrentam dificuldades nas atividades agropecuárias tradicionais em razão de estiagens e enchentes. "Se a cooperativa entrar e estruturar essa cadeia, teremos um novo negócio e a possibilidade de desenvolvimento econômico e social, com sucessão geracional das famílias e permanência dos produtores na região", diz.
Etapas da pesquisa e prazos
As atividades começam pela revisão bibliográfica e pelo levantamento de dados secundários, seguidas do diagnóstico da cadeia da piscicultura, da coleta e análise de dados e da elaboração de relatórios técnicos. Os resultados devem indicar em quais elos da cadeia a Cotrirosa poderá atuar e qual modelo de negócio tem melhores condições de desenvolvimento no médio e no longo prazo.
O projeto prevê ainda a produção de relatórios mensais, a apresentação de resumos em eventos científicos e a publicação de ao menos um artigo em periódico Qualis A na área interdisciplinar. A FATEC é responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos, enquanto a UFSM disponibiliza infraestrutura, pesquisadores e estudantes para a execução dos estudos.
Se os estudos confirmarem viabilidade, o Rio Grande do Sul pode ganhar uma nova cadeia produtiva com potencial de gerar emprego, renda e alternativas econômicas em municípios ligados ao agronegócio. A parceria também deve ampliar a presença da UFSM em iniciativas de desenvolvimento regional, aproximando pesquisa acadêmica e setor produtivo em um tema ainda pouco estruturado no Estado.
Com informações de ufsm.br
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