Consumo de arroz cai 13% em uma década, mostra debate no RS
Preço do quilo, hoje em R$ 3,30, não é a causa da queda, apontam especialistas reunidos na Expointer.

Um debate promovido pela Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), realizado durante a Expointer nesta semana, expôs que o consumo de arroz no Brasil caiu 13% na última década, mesmo com o crescimento da população no período. Para especialistas do comércio e da indústria que participaram do encontro, o problema não está no preço: o quilo do produto custa hoje R$ 3,30, e a queda tem relação direta com a mudança na rotina alimentar dos brasileiros, que substituíram o arroz com feijão por opções consideradas mais práticas no dia a dia.
Preço não é o principal entrave, dizem especialistas
O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior, foi direto ao afirmar que o valor cobrado pelo arroz não é o que afasta o consumidor das prateleiras. Segundo ele, mesmo que o quilo do produto voltasse aos R$ 5 registrados durante a pandemia — hoje custa R$ 3,30 —, isso não derrubaria o volume vendido, porque o arroz segue sendo o carboidrato mais barato disponível no mercado.
A gerente de marketing da Basf, Graziela de Morais, apresentou um diagnóstico semelhante a partir de pesquisas sobre o prato do brasileiro: massas, batata e outros legumes ganharam espaço nos últimos anos, dividindo com o arroz um lugar que antes era praticamente automático. Para ela, o desafio do setor é reconquistar essa escolha, já que o grão deixou de estar garantido ao lado do feijão nas refeições diárias.
Rotina mais corrida muda o hábito à mesa
O gerente comercial regional Sul da Josapar, Daniel Ziemer Santanna, contou que a empresa, dona da marca Tio João, hoje comercializa 120 produtos derivados de arroz — de farinha a biscoito —, vendidos em todos os estados brasileiros, com o Rio de Janeiro como maior mercado consumidor. Segundo ele, o pacote de cinco quilos ainda é o mais procurado entre famílias do interior, que preparam mais refeições em casa.
“As famílias estão almoçando e jantando menos juntas”, resumiu Santanna. Segundo ele, essa mudança de rotina, somada à força do bufê de restaurante e dos aplicativos de entrega, explica boa parte da queda no consumo doméstico do grão nos últimos anos.
A nutricionista Cris Zinelli avalia que o arroz tem chance de recuperar espaço com o resgate da chamada comida caseira, movimento que ganhou força entre consumidores nos últimos anos, ainda que o grão enfrente resistência de dietas restritivas de carboidrato, reforçada pelo uso crescente de medicamentos para emagrecimento. Já o presidente da Federarroz, Denis Nunes, afirmou que o setor também aposta em novos mercados para o arroz, incluindo a produção de etanol a partir do grão, insumo para combustíveis renováveis usados na aviação — uma frente que deve ganhar força à medida que cresce a exigência por combustíveis mais sustentáveis nos voos ao redor do mundo.
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