Área de arroz no RS deve encolher 3,4% na próxima temporada
Levantamento do Irga aponta queda de até 5,5% na Costa Doce, enquanto a soja mantém área quase estável no Estado.

A área cultivada com arroz no Rio Grande do Sul deve recuar para 861,7 mil hectares na próxima temporada agrícola, uma retração de 3,4% em relação ao ciclo anterior, que já havia registrado queda. O número é do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e foi apresentado durante a Expointer, na segunda-feira (31). É a segunda temporada seguida de redução na área do cereal, cultura que sustenta parte da economia das cidades da Metade Sul do Estado, entre elas os municípios da Costa Doce.
Crédito curto e clima incerto pesam na decisão
Segundo o Irga, a decisão de quanto cultivar neste ciclo foi moldada por três fatores: o crédito disponível, os custos de produção e as perspectivas climáticas. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, apontou que o volume de crédito rural liberado pelo governo federal segue baixo, o que reduz o acesso do produtor a tecnologia.
O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, destacou ainda a incerteza climática para a primavera e o verão, período em que o cereal se desenvolve no Estado. Segundo ele, o fenômeno El Niño tem se manifestado com intensidade neste ano, o que aumenta as dúvidas sobre o volume de chuva nos próximos meses.
Preço melhora, mas custo ainda aperta
Apesar da retração na área, a remuneração paga ao produtor deve ser melhor que nos últimos anos, quando o preço da saca de 50 quilos de arroz chegou a ficar abaixo do valor mínimo estabelecido pelo governo federal. Atualmente, o preço mínimo está fixado em R$ 68,07, enquanto o custo médio para implantar a lavoura gira em torno de R$ 80 por saca — uma equação que segue apertada para quem decide manter a produção.
Já a área de soja deve ficar praticamente estável, em torno de 431 mil hectares, queda de apenas 1,3% ante o ciclo anterior. Para o presidente do Irga, Alexandre Velho, o dado é positivo porque a alternância entre as duas culturas ajuda a preservar a produtividade e a estabilidade da lavoura de arroz, mesmo com menos área dedicada ao cereal.
Queda mais forte atinge municípios da Costa Doce
O comportamento não é uniforme entre as regiões produtoras do Estado. Na Fronteira Oeste, que concentra a maior área de arroz do Rio Grande do Sul, a queda projetada é de 3,7%, para 247,6 mil hectares. Já a maior retração percentual aparece na Planície Costeira Interna — região que reúne municípios da Costa Doce —, com recuo de 5,5%, para 129,9 mil hectares.
Os números divulgados representam a intenção de cultivo apontada por produtores responsáveis por 70% da área do Estado, e a área definitiva só será confirmada ao longo do ciclo, à medida que a produção avança no campo. Ainda assim, a expectativa de menos área cultivada acende alerta para a economia de cidades que dependem da cadeia do arroz, do comércio local a empregos ligados à produção.
O quadro consolidado do próximo ciclo do arroz no Rio Grande do Sul só deve ficar claro nos próximos meses, quando a intenção reportada pelos produtores se converter em área efetivamente cultivada. Até lá, crédito, custo de produção e comportamento do clima seguem como as principais variáveis observadas pelas entidades do setor para dimensionar o impacto sobre a economia da Metade Sul.
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