RS perde produtores de leite: de 84 mil para 28 mil em 10 anos
Levantamento da Emater aponta que o estado pode ter menos de 3 mil produtores em 25 anos se a tendência não mudar.

O Rio Grande do Sul perdeu 56 mil produtores de leite na última década, caindo de 84 mil para 28 mil propriedades em atividade — uma redução de 66%, segundo levantamento da Emater-RS/Ascar. O órgão alerta que, se a tendência atual não for revertida, o estado pode chegar a menos de 3 mil produtores de leite daqui a 25 anos, cenário que ameaça reduzir de forma drástica a oferta do produto e enfraquecer a cadeia que sustenta laticínios, transporte e comércio em municípios de toda a Metade Sul e do restante do estado.
Queda de 66% em dez anos
O levantamento da Emater-RS/Ascar mostra que o número de produtores de leite no Rio Grande do Sul recuou de 84 mil para 28 mil na última década, uma perda de 56 mil propriedades dedicadas à atividade. A projeção do órgão indica que, mantido esse ritmo, restariam menos de 3 mil produtores em atividade daqui a 25 anos — um encolhimento que praticamente extinguiria a produção de leite em escala familiar no estado.
Para entender por que tantas famílias deixaram a atividade, a Emater-RS/Ascar traçou o perfil de quem abandonou a produção nos últimos anos. O mapeamento deve servir de base para programas de assistência técnica e de incentivo à permanência de quem ainda vive da pecuária leiteira, uma das atividades mais tradicionais do interior gaúcho.
O que muda para quem mora na cidade
A redução no número de produtores tende a pressionar a oferta de leite e derivados que abastecem mercados, padarias e indústrias de laticínios nas cidades do Sul do Rio Grande do Sul. Menos propriedades em atividade significa menor volume disponível para processamento, o que pode se refletir no preço final de produtos como leite, queijo e iogurte nas prateleiras.
A cadeia do leite também emprega trabalhadores em transporte, laticínios, veterinária e comércio — setores concentrados nas áreas urbanas dos municípios da região. O enfraquecimento da atividade no campo tende a repercutir na geração de emprego e renda também nas cidades, mesmo para quem nunca pisou numa propriedade rural.
Cenário para os próximos 25 anos
O alerta da Emater-RS/Ascar é direto: sem mudanças na política de apoio à atividade, o Rio Grande do Sul pode ter menos de 3 mil produtores de leite em 25 anos — uma queda de mais de 90% em relação aos 28 mil produtores contabilizados atualmente. O órgão reforça que o cenário só pode ser revertido com ações concretas de incentivo a quem permanece na produção.
A Emater-RS/Ascar deve utilizar o levantamento para orientar novos programas de assistência técnica e de fortalecimento da pecuária leiteira no estado. A SulTV segue acompanhando os desdobramentos desse cenário e os próximos anúncios de políticas públicas voltadas ao setor no Rio Grande do Sul.
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