Preço do arroz desacelera e mercado gaúcho busca equilíbrio
Saca de 50 quilos fechou perto de R$ 79,35 no Rio Grande do Sul, com alta acumulada de 16,15% em um mês.

O mercado de arroz no Rio Grande do Sul encerrou o mês de agosto em um momento de equilíbrio, depois de uma sequência de altas que levou o preço da saca de 50 quilos para perto de R$ 80. O valor negociado ficou em R$ 79,35, alta de 16,15% frente ao mês anterior e de 15,26% em relação ao mesmo período de 2025, mas o ritmo de reajustes perdeu força nas últimas semanas. A mudança tem relação direta com o comportamento da indústria, que reduziu o ritmo de compra depois de recompor estoques, e tende a influenciar o preço do arroz nas prateleiras dos mercados da Costa Doce e do Sul do Estado.
Indústria pisa no freio e varejo resiste a reajustes
Depois de meses recompondo estoques, a indústria processadora de arroz reduziu a agressividade nas compras e passou a controlar o ritmo de aquisição da matéria-prima. Essa mudança de postura ajudou a moderar a alta, que na última medição semanal ainda avançou 1,98%, mas em ritmo bem menor do que o observado ao longo do primeiro semestre.
No varejo, a resistência aos reajustes já aparece nas negociações entre indústria e supermercados. O cenário aumenta o risco de descontos e bonificações para escoar o produto parado em canal, o que tende a comprimir as margens da indústria e pode se refletir no preço final pago pelo consumidor nas gôndolas dos supermercados da região.
Produtor retém estoque e regula a oferta no mercado gaúcho
Na origem, parte do estoque de arroz segue retida à espera de uma remuneração melhor, o que restringe o volume disponível para negociação imediata. Segundo analistas do setor, não há falta de arroz no Rio Grande do Sul — o produto existe, mas parte permanece fora do mercado até que o preço avance.
O comportamento regional é desigual: na Fronteira Oeste o mercado segue firme, enquanto no Litoral Sul os preços já testaram patamares superiores aos atuais. Nas duas regiões, porém, cerca de dez dias sem avanço consistente nas cotações indicam perda de força na escalada de preços iniciada nos meses anteriores.
O que muda para quem compra arroz na Costa Doce e no Sul do RS
Cachoeira do Sul, um dos maiores polos de beneficiamento de arroz do Rio Grande do Sul, sente diretamente esse movimento de mercado: é lá que parte do arroz produzido no estado é industrializado e distribuído para os supermercados de cidades como Camaquã, Tapes, São Lourenço do Sul e Pelotas. Com a saca ainda cotada perto de R$ 79,35, a tendência é de estabilidade no preço do pacote de arroz nas prateleiras nas próximas semanas.
Se a indústria continuar comprando com cautela e o varejo seguir resistindo a novos repasses, o equilíbrio atual deve se manter. Já se o consumo não acompanhar os aumentos já registrados, o excesso de produto parado no canal de distribuição pode até favorecer promoções para o consumidor final.
Nas próximas semanas, o equilíbrio entre o estoque represado na origem, a cautela da indústria e a resistência do varejo deve seguir definindo o rumo dos preços do arroz no Rio Grande do Sul. Para o consumidor da Costa Doce e do Sul do Estado, o desfecho dessa disputa entre produtores, indústria e supermercados é o que vai determinar se o arroz segue custando mais caro na mesa ou se o mercado abre espaço para novos descontos.
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