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Produtor de suínos no RS vende abaixo do custo, alerta associação

Exportações brasileiras cresceram 10% nos sete primeiros meses do ano, mas recuperação de preço só é esperada no fim do ano — e pode não cobrir o custo do produtor.

19 de setembro de 2026·Redação SulTV
Produtor observa lote de suínos em granja no RS, cenário de custo acima do preço da carne.
Produtor observa lote de suínos em granja no RS, cenário de custo acima do preço da carne.

Produtores de suínos do Rio Grande do Sul vêm recebendo pela carne um valor abaixo do custo de produção, aponta a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS). Segundo o presidente da entidade, Valdecir Folador, o desequilíbrio é resultado do excesso de oferta de animais, que cresceu acima da capacidade de absorção dos mercados interno e externo ao longo de 2026. As exportações brasileiras de carne suína, no entanto, seguem em alta: os embarques cresceram 10% nos sete primeiros meses do ano na comparação com igual período de 2025.

Custo estável, preço do suíno em queda

De acordo com Folador, o aperto nas margens não decorre de uma alta nos custos de produção. Os preços do milho e do farelo de soja, principais insumos da alimentação dos animais, permaneceram relativamente estáveis nos últimos 18 a 24 meses. A mudança mais significativa veio da cotação do próprio suíno, que sofreu forte desvalorização a partir do segundo trimestre deste ano.

O crescimento da produção, tanto no Rio Grande do Sul quanto no restante do país, ampliou a oferta disponível e pressionou os preços pagos aos criadores. Para Folador, o cenário reflete um mercado que não conseguiu absorver todo o volume adicional gerado nos últimos meses, mantendo o produtor em uma equação de compra e venda desfavorável.

Exportações resistem mesmo com pressão nas Filipinas

No mercado externo, os volumes exportados pelo Brasil se mantiveram firmes ao longo do ano, mesmo diante de oscilações pontuais em destinos importantes. Nas Filipinas, um dos principais compradores da carne suína brasileira, o alto volume ofertado chegou a pressionar os preços — mas, segundo Folador, o país não interrompeu as compras em nenhum momento.

Informações recolhidas junto a representantes da indústria exportadora indicam que a situação nas Filipinas já apresentou melhora, com preços e demanda retornando a um patamar mais próximo do normal. Para o presidente da ACSURS, o desempenho consolidado das exportações no ano mostra que dificuldades pontuais em mercados específicos não travaram o avanço geral dos embarques brasileiros.

Folador avalia que existe alguma expectativa de recuperação de preços nos últimos meses do ano, período tradicionalmente impulsionado pelo consumo de fim de ano e por uma eventual melhora das exportações. Ainda assim, ele pondera que essa recuperação, se vier, dificilmente será suficiente para cobrir integralmente o custo de produção dos criadores gaúchos. Como o ciclo de produção da suinocultura é longo, o ajuste da oferta ao mercado tende a ser gradual — um cenário que deve continuar influenciando o setor no Rio Grande do Sul nas próximas semanas.

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