MP proíbe bets: prazo para sacar saldo é até 5/10
A partir de 6 de outubro as plataformas saem do país, e o setor que pagou R$ 1,03 bilhão em patrocínios ao futebol em 2025 começa a se reorganizar.

O governo federal publicou uma medida provisória que proíbe a operação de plataformas de apostas esportivas online no país, incluindo publicidade, patrocínios e promoções comerciais. Pela regra, novos aportes já estão bloqueados, os apostadores têm até 5 de outubro para retirar os saldos aplicados e, a partir de 6 de outubro, as bets deixam de funcionar no Brasil — uma mudança que atinge diretamente clubes de futebol, canais de mídia esportiva e criadores de conteúdo que dependiam desse dinheiro.
Futebol perde parte do patrocínio bilionário
Levantamentos sobre os contratos do futebol brasileiro mostram que as casas de apostas responderam por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões movimentados em patrocínios pelos 20 clubes da Série A em 2025 — cerca de um em cada três reais arrecadados pelos times veio desse setor. Hoje, 14 dos 20 clubes da elite do futebol nacional têm empresas de apostas como patrocinadoras máster.
A dependência varia de clube para clube, mas em alguns casos é alta: o Corinthians recebeu R$ 150 milhões anuais de uma empresa de apostas, valor que representou 17,3% da receita total do clube no período analisado. Flamengo, Sport e Juventude também tiveram mais de 10% de suas receitas totais vindas diretamente de bets em 2025, o que os obriga a buscar rapidamente outras fontes de patrocínio.
Canais de mídia e criadores de conteúdo também sentem o impacto
A publicidade das apostas não ficava restrita aos estádios: também sustentava canais de televisão, produtoras de internet e criadores de conteúdo, seja por contratos mensais, seja por comissão de afiliados conforme a quantidade de usuários direcionados às plataformas. Estimativas apontam que o setor investiu cerca de R$ 1,4 bilhão em publicidade em 2025, enquanto uma estimativa do Itaú coloca os gastos anuais do setor com propaganda e patrocínios entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões.
Com a proibição, o efeito tende a se espalhar em cadeia: clube perde patrocínio, canal perde anunciante, agência perde contrato, criador perde renda. Um canal grande pode conseguir substituir uma bet por vários anunciantes menores, mas para produções de menor porte a reposição desse dinheiro pode não se completar.
Como fica quem tem saldo em plataformas de apostas
Pela medida provisória, novos aportes nas plataformas de apostas já estão proibidos em todo o país. Quem tem saldo aplicado tem até o dia 5 de outubro para retirar o valor das contas, e a partir de 6 de outubro as bets deixam de operar legalmente no Brasil.
Contratos de publicidade e patrocínio já assinados antes da medida podem seguir válidos até 5 de outubro, mas a contratação de qualquer nova publicidade, patrocínio ou promoção comercial das bets está proibida imediatamente. O Ministério da Justiça, que fundamentou a decisão, afirma que mais de 1,3 milhão de brasileiros já haviam pedido autoexclusão das plataformas e estima em R$ 38,8 bilhões o custo social anual associado às apostas eletrônicas. Um estudo do Sicredi divulgado nesta semana também apontou inadimplência 40% maior entre associados que fizeram apostas online em 2025, embora a cooperativa ressalve que a análise ainda é preliminar.
O mercado de publicidade esportiva deve passar agora por uma reorganização acelerada: clubes vão precisar de novos patrocinadores, canais precisarão diversificar receita e agências e criadores de conteúdo terão de renegociar contratos. Nem todo esse dinheiro deve ser reposto na mesma velocidade — e o tamanho do espaço deixado pelas bets só ficará claro nos próximos meses, à medida que os primeiros contratos vencerem.
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