Leilão da BR-116 e BR-392 em Camaquã fica para dezembro
Edital deve ser publicado em setembro; concessão prevê R$ 6,08 bilhões em investimentos e novos pontos de pedágio na região.

O Ministério dos Transportes prevê realizar em dezembro o leilão da Rota Portuária do Sul, concessão que envolve as BRs 116 e 392 e passa por Camaquã. O edital do processo deve ser publicado em setembro, e a concessão prevê investimento de R$ 6,08 bilhões ao longo do contrato, com impacto direto sobre motoristas que usam as rodovias para deslocamento, transporte de mercadorias e acesso ao Porto do Rio Grande.
Obras e cobrança previstas no corredor
A Rota Portuária do Sul compreende um corredor de aproximadamente 456,20 quilômetros, passando por Santana da Boa Vista, Camaquã, Jaguarão e Rio Grande. O projeto prevê 81,21 quilômetros de duplicações e outros 38,58 quilômetros de vias marginais ao longo do trajeto.
O modelo de concessão inclui a instalação de 14 pórticos de cobrança, que vão tarifar conforme o trecho percorrido pelos usuários. Também estão previstos 64 dispositivos e interseções, 39 passarelas para pedestres e dois pontos de parada e descanso. Segundo as estimativas do projeto, a concessão pode gerar 88.091 empregos, somando postos diretos, indiretos e efeito-renda.
Azonasul questiona modelo de pedágio
A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) tem levantado questionamentos sobre o formato da concessão. Prefeitos da região defendem mais discussões sobre o modelo antes da publicação do edital e demonstram preocupação com os impactos econômicos das futuras tarifas de pedágio sobre a população e o comércio local.
A antecipação do cronograma pegou os municípios de surpresa. Em reunião anterior em Brasília, representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) haviam indicado que o leilão só ocorreria em 2027. Diante da mudança, a Azonasul pretende buscar uma nova agenda com o governo federal para ampliar o debate antes da publicação do edital.
Como estão as rodovias hoje
Atualmente, os trechos das BRs 116 e 392 estão sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O órgão assumiu a administração das rodovias após o fim do contrato com a Ecovias Sul, em 4 de março, quando terminou o antigo Polo Rodoviário de Pelotas, concessão que durou 28 anos e chegou a cobrar tarifa de R$ 19,60.
As duas rodovias têm papel estratégico para a região. A BR-116 conecta o Sul do Estado a outras regiões gaúchas, enquanto a BR-392 dá acesso ao Porto do Rio Grande e é utilizada no transporte de cargas até o litoral.
Caso o cronograma seja mantido, o processo entra em etapa decisiva já em setembro, com a publicação do edital, antes do leilão previsto para dezembro. A definição do novo modelo de concessão deve ter impacto direto sobre Camaquã e sobre os demais municípios cortados pelas BRs 116 e 392, com reflexos nas tarifas de pedágio e nas condições de deslocamento da região.
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