El Niño pode elevar mar em 4°C e intensificar calor no RS
Novo levantamento da ETH Zurique aponta aquecimento até 25% maior que o previsto, e 2027 pode se tornar o ano mais quente já registrado.

Um estudo conduzido por pesquisadores da ETH Zurique, na Suíça, aponta que o aquecimento global pode ser até 25% maior do que indicam os modelos climáticos mais usados atualmente. A avaliação ganha força justamente quando um El Niño excepcionalmente intenso se forma no oceano Pacífico, fenômeno que deve elevar ainda mais a temperatura média do planeta entre o fim de 2026 e 2027, com potencial de reflexos também no Sul do Brasil, região que inclui a Costa Doce.
Novo estudo eleva estimativa de aquecimento global
A pesquisa, liderada por Gergana Gyuleva, buscou isolar a variabilidade natural do clima — como El Niño, La Niña e vulcanismo — dos dados usados para calibrar os modelos climáticos entre 1981 e 2014, período que inclui o chamado hiato do aquecimento global no início dos anos 2000. Ao filtrar esses fatores, os pesquisadores chegaram a uma resposta climática ao dobro da concentração de CO₂ na faixa de 1,9°C a 2,6°C, com estimativa central de 2,25°C — acima dos 1,8°C usados no último relatório do IPCC.
A diferença tem peso prático. O Climate Action Tracker projeta que, mantidas as políticas atuais, a temperatura média global pode chegar a 2,6°C acima do período pré-industrial até 2100. Aplicando a nova estimativa, esse número poderia saltar para cerca de 3,25°C. Os modelos que melhor reproduzem o balanço energético do planeta, medido por satélites desde 2001, são justamente os que apontam maior aquecimento futuro.
El Niño 2026-2027 pode intensificar recordes de calor
As águas do Pacífico Equatorial central vêm registrando uma sequência incomum de recordes de temperatura, e as projeções apontam a possibilidade de a superfície do mar ficar até 4°C acima da média em dezembro. O El Niño não causa o aquecimento global, mas redistribui o calor acumulado no sistema climático e pode provocar saltos rápidos na temperatura média do planeta em um curto espaço de tempo.
Existe uma defasagem entre o aquecimento das águas do Pacífico e a resposta da temperatura média global, o que significa que, mesmo com o pico do El Niño esperado para o fim de 2026, o maior impacto sobre o clima pode aparecer apenas em 2027. É por isso que cresce a possibilidade de esse ano se tornar o mais quente já registrado, com reflexos que podem incluir ondas de calor mais intensas e chuvas mais fortes também no Sul do Brasil.
Os próprios responsáveis pelo estudo reforçam que a conclusão ainda depende de confirmação por outras pesquisas independentes, mas o cenário já é suficiente para acender um alerta. Para moradores da Costa Doce e do Sul do RS, a recomendação é acompanhar os canais oficiais, como a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, à medida que o El Niño avança e os primeiros sinais de calor mais intenso ou de eventos extremos começarem a aparecer na região.
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