Jacuí atinge 24,80 m e supera recorde de 1982 em Cachoeira do Sul
No Oeste do estado, os rios Ibirapuitã e Uruguai avançam sobre Alegrete e São Borja, com 29 pessoas desabrigadas.

A cheia do Rio Jacuí atingiu 24,80 metros em Cachoeira do Sul na manhã deste sábado (3), marca que supera em oito centímetros o recorde de 1982 e coloca o episódio entre as dez maiores cheias já registradas no município, de acordo com medição eletrônica da Defesa Civil Estadual. O avanço das águas já obrigou 72 moradores a deixar suas casas, enquanto outras cidades do Oeste do Rio Grande do Sul, como Alegrete e São Borja, também enfrentam cheias nos rios Ibirapuitã e Uruguai após o episódio de chuva volumosa registrado no final de setembro.
Jacuí supera marca histórica em Cachoeira do Sul
O nível do Jacuí está 6,80 metros acima da cota considerada normal na cidade, de 18 metros, e 3,30 metros acima da cota de inundação. Na Barragem do Fandango, a régua física marcava 24,60 metros neste sábado, ainda 12 centímetros abaixo do patamar de 1982. O ritmo de elevação do rio diminuiu, mas os impactos sobre a população continuam crescendo.
A Defesa Civil contabiliza 24 famílias afetadas na região. Onze famílias, somando 43 pessoas, estão em abrigos; nove famílias, com 21 pessoas, foram para casas de parentes ou amigos; e quatro famílias, com oito pessoas, permanecem isoladas. A maior cheia recente do Jacuí aconteceu em maio de 2024, quando o rio chegou a 29,55 metros na Barragem do Fandango — nível ainda distante do registrado neste sábado.
Alegrete e São Borja também sob cheia
No Oeste do estado, o Rio Ibirapuitã chegou a 11,3 metros em Alegrete no início da noite deste sábado, acima da cota de inundação de 9,70 metros. A cheia deixou 29 pessoas desabrigadas, de oito famílias, além de uma pessoa desalojada. Os moradores retirados de casa estão sendo acolhidos nos ginásios das escolas Honório e Eurípedes Brasil Milano, enquanto bairros como Vila Nova, Canudos, Santo Antônio, Macedo, São João e Ibirapuitã registram o avanço da água.
Em São Borja, o Rio Uruguai atingiu 10,1 metros na noite deste sábado, provocando a interdição de estradas nas localidades de Estiva, Salso e Santa Luzia e afetando comércios na região do Cais do Porto. A orientação é que a população utilize rotas alternativas para os deslocamentos. Em Garruchos, o rio chegou a 11,28 metros e começou a dar sinais de estabilização, enquanto em Porto Lucena, município a montante, o nível está em queda desde a madrugada.
Guaíba em Porto Alegre tem trajetória de queda
Na Capital, o Guaíba estava em 2,09 metros no Cais Mauá neste sábado, nível que ainda provoca pequenos alagamentos nas ilhas, mas segue em queda. No dia anterior, o rio havia chegado a 2,46 metros, próximo da cota de alerta de 2,5 metros, o que indica que o pico mais crítico na região da Capital já passou.
A Defesa Civil Estadual mantém o monitoramento dos níveis dos rios Jacuí, Ibirapuitã e Uruguai nos próximos dias, com atenção aos municípios que ainda registram famílias fora de casa. Moradores das áreas de risco no Centro e no Oeste do Rio Grande do Sul devem seguir as orientações dos órgãos locais de Defesa Civil quanto a deslocamentos e eventual necessidade de abrigo.
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