El Niño bate recorde de +3,2°C e deve seguir forte até 2027
Projeções internacionais apontam pico do fenômeno entre novembro e dezembro, com queda lenta das temperaturas do Pacífico só a partir do ano seguinte.

O El Niño deve se manter com intensidade muito forte até o outono de 2027, aponta a atualização mais recente dos modelos climáticos internacionais, divulgada no início de outubro. A anomalia de temperatura na região equatorial do Oceano Pacífico, hoje em +3,2°C, já está em território recorde — o patamar mais alto registrado até então, em 2015, foi de +3°C. Parte das simulações projeta valores de até +4,3°C entre novembro e dezembro deste ano, quando o fenômeno deve atingir o pico.
Pico previsto para o fim do ano, queda lenta depois
A previsão é baseada no comportamento da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4, um dos principais indicadores usados para acompanhar o fenômeno. A maior parte dos cenários aponta anomalias acima de +3,5°C durante o verão do Hemisfério Sul, com o auge concentrado entre novembro e dezembro de 2026.
Depois do pico, a redução das temperaturas do Pacífico deve ocorrer de forma lenta. Em janeiro e fevereiro de 2027, grande parte dos modelos ainda indica anomalias entre +3°C e +4°C. Em março e abril, mesmo com enfraquecimento, muitos cenários continuam entre +2,5°C e +3,5°C — ou seja, o fenômeno deve seguir com intensidade forte até o início do outono.
Modelos americano e europeu divergem sobre 2027
Um segundo modelo climático, de referência nos Estados Unidos e atualizado diariamente, traça um cenário parecido para o curto prazo, com pico também entre novembro e dezembro e anomalias concentradas entre +3°C e +3,5°C. A partir do início de 2027, porém, as projeções passam a divergir.
Enquanto um dos modelos mantém boa parte dos cenários acima de +3°C até março e abril, o outro mostra queda mais acentuada: a anomalia recuaria para perto de +2°C em março, perto de +1°C em abril e maio, e parte dos cenários chega próxima da neutralidade no início do inverno de 2027. A diferença mostra que ainda há incerteza sobre a velocidade de enfraquecimento do fenômeno.
Efeitos variam de região para região
A intensidade recorde do El Niño não significa, necessariamente, consequências de magnitude inédita. A relação entre a força do fenômeno e seus efeitos não é linear, e outros fatores atmosféricos, que variam a cada episódio, ajudam a definir se os impactos serão mais ou menos graves em cada região do país.
Historicamente, o fenômeno tende a reduzir as chuvas no Norte e no Nordeste, favorecendo secas e queimadas, enquanto o Centro-Oeste registra mais calor e chuvas irregulares. No Rio Grande do Sul, os efeitos de cada episódio dependem da combinação com outros sistemas atmosféricos, e a persistência do El Niño até 2027 reforça a importância de acompanhar as previsões de curto prazo nos próximos meses.
Novas atualizações dos modelos climáticos devem chegar ainda neste ano, à medida que o El Niño se aproxima do pico projetado para novembro e dezembro. Até lá, moradores da Costa Doce e do Sul do Rio Grande do Sul devem acompanhar os boletins de curto prazo para entender como o fenômeno pode se refletir em temperatura e volume de chuva na região nos próximos meses.
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