Pular para o conteúdo
Notícias
PolíticaCamaquã

CPI revela crise oculta na energia do interior

A CPI das Concessionárias de Energia Elétrica da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul voltou a movimentar o debate sobre a qualidade do fornecimento de energia no Estado. Em audiência realizada no dia 3 de novembro, a presidente da Agência Estadual de Regulação (Agergs), Luciana Luso de Carvalho, reconheceu que o órgão conta com apenas três servidores dedicados à fiscalização do setor elétrico e do gás. A declaração, de tom contundente, evidenciou a fragilidade estrutural de quem deveria

05 de novembro de 2025·Redação SulTV
CPI revela crise oculta na energia do interior

Falhas graves na fiscalização reforçam alerta sobre fornecimento de energia no interior

A CPI das Concessionárias de Energia Elétrica da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul voltou a movimentar o debate sobre a qualidade do fornecimento de energia no Estado. Em audiência realizada no dia 3 de novembro, a presidente da Agência Estadual de Regulação (Agergs), Luciana Luso de Carvalho, reconheceu que o órgão conta com apenas três servidores dedicados à fiscalização do setor elétrico e do gás. A declaração, de tom contundente, evidenciou a fragilidade estrutural de quem deveria garantir o cumprimento das obrigações das concessionárias e a segurança dos consumidores.

A fala da presidente reforça o cenário mostrado pela reportagem anterior da SulTV, que acompanhou a visita do deputado Marcos Vinícius, relator da CPI, à comunidade de Alto do Paraíso, em Camaquã. Na ocasião, o parlamentar ouviu relatos de moradores e produtores rurais que convivem com quedas constantes de energia. Em um episódio simbólico, enquanto a equipe da CPI estava no local, a luz acabou — retrato fiel de uma realidade que tem afetado diretamente o dia a dia de famílias e trabalhadores do campo.

O presidente da CPI, deputado Miguel Rossetto, afirmou que os dados coletados até agora indicam descumprimento de cláusulas contratuais por parte da CEEE Equatorial e que, se confirmadas as irregularidades, a comissão poderá recomendar a cassação da concessão. A empresa, segundo ele, não estaria cumprindo compromissos mínimos assumidos desde a privatização. As próximas oitivas já estão marcadas: a RGE será ouvida no dia 13 de novembro e a CEEE Equatorial no dia 24, quando deverão apresentar explicações formais sobre as falhas no serviço.

A Agergs também confirmou que há mais de 60 mil reclamações de consumidores por cobranças indevidas ou problemas no fornecimento. O número, aliado à carência de estrutura para fiscalização, levanta uma preocupação crescente sobre a efetividade da regulação. E, enquanto isso, nas comunidades do interior — especialmente nas da região da Costa Doce — as falhas persistem, prejudicando produtores de leite, fumo, arroz e vinho, que dependem da energia elétrica para manter suas atividades produtivas.

Na Costa Doce, a interrupção de energia não é apenas um incômodo: é uma ameaça econômica. Cada hora sem luz representa perdas de produção, danos a equipamentos e, em muitos casos, o comprometimento de safras inteiras. Em tempos de estiagens e eventos climáticos extremos, a falta de estabilidade no fornecimento se torna ainda mais crítica. A população cobra respostas, e as lideranças regionais pedem providências urgentes para evitar um colapso no serviço básico que sustenta o desenvolvimento local.

A SulTV acompanha de perto o desenrolar da CPI porque o tema tem impacto direto na vida das comunidades do interior. A emissora tem ouvido moradores, produtores e autoridades, buscando dar voz às pessoas que vivem na ponta desse problema e que precisam de soluções concretas. Mais do que uma questão técnica, o debate sobre o fornecimento de energia no Rio Grande do Sul é um retrato da relação entre serviço público, responsabilidade empresarial e qualidade de vida no campo.

O desfecho da CPI pode representar um divisor de águas para o futuro da energia — e da confiança — no interior do Estado.

📱 Acompanhe a SulTV no Facebook e no Instagram e fique por dentro do que importa na Costa Doce e no Sul do RS.