Apil apresenta agenda com 4 prioridades para salvar a cadeia do leite no RS
Documento propõe Pacto pelo Leite Gaúcho e foi entregue a candidatos durante a Expointer

A Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Apil/RS) elaborou uma agenda com quatro prioridades para a cadeia produtiva do leite no Estado. O documento propõe a construção de um Pacto pelo Leite Gaúcho, com compromissos para produtores e indústrias e articulação entre os governos estadual e federal, e começou a ser entregue a candidatos que visitaram a Casa da Apil durante a Expointer 2026.
O peso do setor no Estado
A Apil representa 43 indústrias instaladas em 41 municípios, responsáveis por mais de 2 mil empregos diretos. As empresas coletam acima de 2 milhões de litros de leite por dia em mais de 190 municípios, provenientes de cerca de 6 mil propriedades rurais.
Para o presidente da entidade, Fernando Zimmermann, a atividade tem efeitos que ultrapassam a produção e o processamento. “O leite não é apenas uma atividade econômica, é renda para as famílias, emprego nos municípios, arrecadação, segurança alimentar e permanência das pessoas no campo”, afirma.
Segundo o dirigente, a cadeia enfrenta endividamento, concorrência externa, saída de produtores da atividade e dificuldade de pequenas e médias indústrias para investir em modernização. A entidade também aponta a pressão sobre as empresas, que precisam manter a captação, pagar os produtores, preservar empregos e atender exigências sanitárias e ambientais mesmo em períodos de margens reduzidas.
As quatro prioridades
A primeira prioridade é a renegociação das dívidas de produtores e indústrias. A proposta prevê um programa de securitização e refinanciamento para os dois segmentos, com carência mínima de dois anos e prazo de até dez anos, além de linhas especiais para reestruturação de passivos e capital de giro, com fundo garantidor, juros subsidiados e bônus de adimplência. A articulação envolveria governo federal, BNDES, BRDE, bancos públicos e instituições financeiras cooperativas.
Na defesa da produção nacional, a Apil propõe revisar as condições de importação quando houver evidências de subsídios distorcivos ou dumping, aplicar salvaguardas e medidas de defesa comercial quando justificadas e exigir reciprocidade sanitária, regulatória, tributária e ambiental para produtos importados.
A terceira frente trata da permanência das famílias na atividade, com manutenção e fortalecimento do Bônus Mais Leite, ampliação da assistência técnica gratuita, políticas de sucessão rural, crédito diferenciado para jovens, seguro de renda em períodos de crise e referências de preço que considerem os custos regionais.
A quarta prioridade é a modernização das indústrias regionais, com linhas de crédito para equipamentos, automação, eficiência energética, tratamento de efluentes e adequação sanitária, além de bônus de modernização, apoio à certificação de origem e qualidade de queijos e derivados e estímulo à inovação e às exportações.
Pedido aos candidatos
O documento solicita apoio público às propostas, a incorporação das medidas aos planos de mandato e a manutenção de um canal permanente de diálogo com produtores, indústrias e entidades da cadeia leiteira. Na avaliação da entidade, o conjunto das ações pode reorganizar dívidas, preservar o crédito, reduzir a saída de produtores e melhorar a relação entre os diferentes elos do setor.
📲 Receba as notícias da região no WhatsApp — siga o Canal da SulTV.
📱 Acompanhe a SulTV no Facebook e no Instagram e fique por dentro do que importa na Costa Doce e no Sul do RS.
Mais de Agro
VídeoSuinocultura sustenta família e leva produtor de Santa Catarina à quarta granja em 19 anos
Reportagem do Canal Rural exibida no Redação SulTV mostra a trajetória de Léo Sermigloreto, que começou com uma única granja em Concórdia (SC) e hoje toca quatro barracões com a esposa Márcia
VídeoQuase 95% dos produtores rurais do país têm dificuldade para contratar mão de obra, mostra pesquisa
Levantamento do CEPEA/CNA exibido no Redação SulTV aponta urbanização e mecanização por trás da escassez de trabalhadores no campo
VídeoCamaquã mira produção de vinhos finos como nova alternativa econômica
Município já cultiva uvas como Merlot e Cabernet Franc; especialistas apontam o enoturismo como alternativa à queda do tabaco na região