O que a Trilha Agro South Summit deixou para quem produz no Sul do RS
Estreia da Trilha Agro na Expointer reuniu 23 painéis, 49 painelistas e 15 startups. Pagamento por serviços ambientais para o arroz com selo IRGA, subvenção à irrigação, boi rastreado como garantia de crédito e drones com retorno em um ano estão entre os pontos que chegam à porteira da Costa Doce. A SulTV, media partner da Trilha, abre nesta terça (8) a série "Do palco à porteira".

A Trilha Agro by South Summit Brazil estreou na Expointer em 31 de agosto, no Estande do Governo do RS, no Pavilhão Internacional do Parque Assis Brasil, em Esteio, com um dia inteiro de painéis, palestras e apresentações de startups. O report oficial do evento, divulgado pelo South Summit Brazil na sexta-feira (4), contabiliza 23 painéis, 49 painelistas e 15 startups na arquibancada. Apresentada pela Bayer, em correalização com o Governo do Estado e com o Sebrae Startups como parceiro, a Trilha teve curadoria de Donário Lopes de Almeida, jornalista, engenheiro agrônomo, produtor rural em Arambaré e sócio da SulTV. A SulTV foi media partner da iniciativa e, a partir desta terça-feira (8), transforma o que foi dito no palco em uma série de reportagens voltada a quem produz na Costa Doce e no Sul do Estado.
Oito anúncios que interessam a quem planta e cria
Arroz com selo IRGA vai receber por serviços ambientais. A coordenadora da assessoria técnica da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura, Isa Osterkamp, apresentou no painel Agro Gaúcho 2035 um novo programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para produtores de arroz com selo IRGA, que remunera por hectare práticas sustentáveis já adotadas. Segundo o report, muitos produtores já fazem manejo de baixo carbono sem conseguir comprovar, e quem tem o selo deve verificar a elegibilidade antes do início dos pagamentos.
O próprio boi financiado pode ser a garantia do crédito. No painel sobre crédito rural, o subsecretário de Irrigação da Secretaria da Agricultura, Davi Teixeira, defendeu a rastreabilidade bovina individual como caminho para que o animal financiado sirva de garantia real, sem comprometer a matrícula da propriedade, e a subvenção estadual à irrigação. Francisco Turra (ABPA) e Fabrício Foresti (Invest RS) conectaram o dado individual do animal à abertura de mercados internacionais.
Solo que segura água é condição para seguro mais barato. O secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, detalhou o programa Terra Forte, de manejo e descompactação do solo para retenção de água, e apresentou o censo de quase 3.200 agroindústrias familiares do Estado, das quais 265 são comandadas por jovens e 179 por mulheres.
O SENAR lançou um agente de inteligência artificial para o produtor. Eduardo Condorelli, superintendente do SENAR-RS, anunciou o Joia, assistente de IA voltado a produtores rurais de todo o Brasil, e alertou que tratar inovação só como tecnologia de ponta exclui quem ainda dá os primeiros passos na mecanização.
O Estado relançou o Centro de Inteligência do Agro e manteve o RS Talentos. Na abertura, a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, Lisiane Lemos, anunciou a unificação das bases de dados de Desenvolvimento Rural, Agricultura e Meio Ambiente e a continuidade do programa de bolsas de R$ 2 mil para formação em exatas, desenhado para segurar jovens do interior no Estado.
Combustível de aviação e hidrogênio verde entram na conta da bioenergia. Ainda no painel Agro Gaúcho 2035, Isa Osterkamp citou o projeto de combustível sustentável de aviação (SAF) na Refinaria Riograndense, em Canoas, e o hidrogênio verde aplicado à produção de amônia para fertilizantes, que reduziria a dependência de importação do insumo.
Drone se paga em cerca de um ano em propriedades de 150 a 200 hectares. Foi a régua apresentada no painel de robotização, com Matias Lazarotto (ADS Drones), Ricardo Santin (ABPA) e Mario Eduardo Terres (Master Drones). Segundo o report, a pulverização por drone reduz de 30% a 60% o volume aplicado e elimina o amassamento da lavoura, e o Brasil ainda vende cerca de 10 mil drones agrícolas por ano, contra 167 mil na China.
Diagnóstico antes do insumo. No painel de biotecnologia, apresentado pela Bayer, Vinícius Faião (Bayer), Leonardo Gomes (B4A) e Murilo Teixeira Gonçalves (Sologen), com mediação de Mauricio Schneider (Aegro), defenderam o diagnóstico de solo, que já custa menos de R$ 800, antes da compra de biológicos. A Aegro, que monitora 6 milhões de hectares, apontou que os 10% de produtores de soja mais lucrativos da safra 2024/25 investiram R$ 100 a mais por hectare em manejo biológico. A Bayer confirmou o incentivo à semente certificada no Rio Grande do Sul.
A lavoura que vira energia, e vira renda
O painel de bioenergia reuniu Amaury Pekelman, presidente executivo da UNEM (União Nacional do Etanol de Milho), Luiz Osório Dumoncel, presidente do conselho da 3tentos, e Erasmo Battistella, CEO e presidente da Be8, com mediação de Donário Lopes de Almeida. A pergunta que guiou a conversa foi objetiva: com etanol de cereais, biodiesel, biogás e biomassa colocando o campo no centro da transição energética, quanto dessa nova cadeia volta para dentro da porteira, em prêmio, contrato ou sociedade.
A bioenergia atravessou o dia inteiro. No painel do Estado, Condorelli descreveu a oportunidade como um "unicórnio dourado" à disposição do produtor, e Isa Osterkamp reforçou que, sem o meio ambiente a serviço do agro, não há produção de energia renovável em escala. A SulTV volta ao tema no quarto episódio da série, com os painelistas e o relato de quem moderou a mesa.
As startups que falam a língua da Costa Doce
Na arquibancada organizada com o Sebrae Startups, 15 empresas apresentaram soluções. Várias delas tratam de problemas conhecidos de quem produz entre Camaquã, Tapes, Cristal, Chuvisca, Dom Feliciano e São Lourenço do Sul.
Tabaco: a Protege Química apresentou um creme protetor aprovado pela Anvisa e reconhecido como equipamento de proteção individual pelo Ministério do Trabalho, que substitui a capa plástica na colheita e previne a doença da folha verde, a intoxicação por nicotina que afasta trabalhadores no verão. Segundo a empresa, foram 11 mil tubos vendidos nesta safra, em um mercado de 600 mil trabalhadores do tabaco no país.
Leite: a Dairy Tech, campeã da Startup Competition do South Summit Brazil em março, mostrou o primeiro teste de campo que identifica a proteína A2 diretamente no leite, no animal ou em qualquer ponto da cadeia, com mais de 36 mil kits vendidos e clientes como a JBS. Em um Estado que perdeu produtores de leite na última década, o teste abre caminho para o leite premium sem laboratório caro.
Arroz e água: a Raks apresentou um sensor de umidade do solo movido a energia solar e com comunicação por satélite, que dispensa internet e, segundo a empresa, economiza 30% de água e energia na irrigação sem perda de produtividade. A ZeoFertil, por sua vez, transforma cinza de carvão mineral e casca de arroz em fertilizante de liberação lenta, validado em casa de vegetação com a Embrapa.
Pasto e gado: a Grazing prevê o crescimento do pasto sete dias à frente com satélite e IA, por assinatura a partir de R$ 49,90, e a Rastro AI apresentou o Faro, agente de inteligência artificial treinado em documentação da Embrapa que orienta o manejo por WhatsApp. A GiroLend, fintech de crédito rural, mira o pequeno e o médio produtor, com valores menores do que os bancos costumam operar.
Pulverização: a DeepAgro e a SaveFarm, esta nascida na PUCRS, mostraram câmeras e IA embarcada que só aplicam herbicida onde há erva daninha, com redução de 70% a 90% do produto em áreas menos infestadas e instalação em pulverizadores de qualquer idade.
O que muda para quem produz na Costa Doce
Quem tem selo IRGA deve checar, junto ao instituto e à Secretaria do Meio Ambiente, a elegibilidade ao PSA do arroz antes do início dos pagamentos.
Produtores de gado que já rastreiam o rebanho individualmente saem na frente na disputa por crédito mais barato e por novos compradores, segundo o painel de financiamento.
Para propriedades de 150 a 200 hectares, a conta do drone de pulverização fecha em cerca de um ano, mas depende de piloto e de serviço local.
O diagnóstico de solo por menos de R$ 800 é o primeiro passo antes de gastar com biológicos, e o Terra Forte pode virar condição para seguro rural.
Quem trabalha com tabaco tem alternativa à capa plástica na colheita; quem produz leite pode testar a proteína A2 na propriedade.
O que vem depois da Expointer
Na abertura, o presidente do South Summit Brazil, José Renato Hopf, anunciou que a Trilha Agro é a largada de um calendário permanente do evento ao longo do ano, com o agro como primeira vertical. A rota já divulgada, batizada de Trilha Agro Explora, passa pela Expofeira de Bagé (23 a 27 de setembro), pelo Farm Show de Dom Pedrito (9 a 18 de outubro) e pela Expofeira de Rio Grande (12 a 15 de novembro), além de um almoço executivo na Semana Caldeira, em Porto Alegre (21 a 25 de setembro). As datas podem mudar.
Em 18 de setembro, o South Summit Brazil apresenta em Porto Alegre, na Arena South Summit do Tecnopuc, o Estudo de Impacto Socioeconômico da edição 2026, elaborado com a EY.
No mesmo palco da Trilha, foi lançado o ciclo 2026 do HackatAgro, movimento de inovação aberta nascido no Sul que abriu chamada para startups em hackatagro.com.
Do palco à porteira: a série da SulTV
A SulTV, media partner da Trilha Agro, publica a partir desta terça-feira a série "Do palco à porteira", com reportagens às terças e quintas até 1º de outubro. Cada episódio traz uma entrevista da SulTV com painelistas e startups, matéria no site, cortes no YouTube (@sultv31) e um bloco no Redação SulTV, às 18h, na tela do canal 31.
Os temas dos próximos episódios: arroz e água, com o PSA do selo IRGA, a subvenção à irrigação e o sensor que dispensa internet; o boi como garantia no novo crédito rural; a lavoura que vira energia e vira renda; o drone que se paga em um ano; o agente de inteligência artificial no WhatsApp do produtor; biológicos e solo, com o diagnóstico antes do produto; e as startups do tabaco, do leite e da noz-pecã.
Transparência: Donário Lopes de Almeida, sócio da SulTV, foi o curador de conteúdo da Trilha Agro e moderou o painel de bioenergia. Os números e anúncios citados nesta reportagem constam do report oficial da Trilha Agro by South Summit Brazil, elaborado com a agência Dialetto e divulgado em 4 de setembro. As entrevistas dos próximos episódios são da SulTV.
Esta reportagem abre a série "Do palco à porteira". Acompanhe no site, no YouTube (@sultv31), nas redes da SulTV e no Redação SulTV, às 18h, no canal 31.
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