RS tem apenas 14 casas de abrigo para mulheres vítimas de violência no campo
Sem separação entre estatísticas urbanas e rurais, o Brasil não sabe dimensionar a violência doméstica no campo — e a falta de dados trava políticas públicas.

O Rio Grande do Sul tem apenas 14 casas de abrigo para atender mulheres vítimas de violência doméstica na zona rural, além de 24 delegacias especializadas — número que cobre menos de 5% dos 497 municípios gaúchos. Reportagem especial exibida pela SulTV, produzida pelo Canal Rural, mostra como a ausência de estatísticas específicas sobre violência no campo mantém o problema invisível para o poder público.
Assista mais no canal da SulTV no YouTubeNo Brasil, as estatísticas oficiais de violência contra a mulher não diferenciam ocorrências urbanas das rurais. Sem esse recorte, o poder público não consegue dimensionar o problema no campo — e sem dados, não há política pública direcionada, mostra a reportagem.
A dificuldade de acesso à rede de proteção é maior fora das cidades. A distância até a delegacia ou o abrigo mais próximo, a falta de sinal de telefone em propriedades rurais, a proximidade entre vítima e agressor em municípios pequenos e a dependência econômica das atividades da propriedade se somam como barreiras específicas enfrentadas pelas mulheres do campo.
No Rio Grande do Sul, a rede de atendimento especializado ainda é pequena diante do tamanho do estado: apenas 24 delegacias especializadas em atendimento à mulher cobrem menos de 5% dos 497 municípios gaúchos, e há só 14 casas de abrigo disponíveis em todo o território estadual.
Recomeço depois de 25 anos
A reportagem traz ainda o relato de uma sobrevivente que, depois de 25 anos convivendo com a violência, decidiu romper o ciclo e recomeçar a vida. O caso ilustra o tempo que muitas mulheres do campo levam para conseguir se afastar do agressor, muitas vezes pela falta de rede de apoio próxima e de alternativa econômica imediata.
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