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Renda de produtores de fumo cai 11,9% no Sul do Brasil

Rio Grande do Sul respondeu por 40,4% da produção regional e movimentou R$ 5,07 bilhões em receita bruta no período.

28 de agosto de 2026·Redação SulTV
Folhas de tabaco em processo de cura dentro de estufa de secagem no Rio Grande do Sul
Folhas de tabaco em processo de cura dentro de estufa de secagem no Rio Grande do Sul

A produção de fumo no Sul do Brasil fechou o ciclo 2025/2026 em 710.229 toneladas, resultado 1,3% menor que o período anterior, mas foi a queda no preço médio pago aos produtores que mais pesou no bolso das famílias da região. O valor recebido por quilo caiu 10,8%, para R$ 18,07, e a receita bruta da atividade no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná somou R$ 12,835 bilhões — R$ 1,74 bilhão a menos que na temporada anterior. Os números foram divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), com base em levantamento junto aos mais de 135 mil produtores dos três estados.

Produção recua no RS e avança no Paraná

O Rio Grande do Sul fechou o período com 286.603 toneladas, queda de 5,5% frente ao ciclo anterior, respondendo por 40,4% de todo o volume produzido na região Sul. A área cultivada no estado ficou praticamente estável, em 132.076 hectares (alta de 0,2%), mas o número de famílias produtoras recuou 2,1%, para 67.815, e a produtividade média caiu de 2.302 kg/ha para 2.170 kg/ha.

Santa Catarina teve retração menor, de 1,1%, fechando com 223.643 toneladas e 40.656 famílias envolvidas na atividade. O Paraná foi o único estado a crescer: 199.983 toneladas, alta de 5,1%, com produtividade de 2.385 kg/ha. No total dos três estados, o tabaco tipo Virgínia respondeu por cerca de 90% do volume, somando 639.471 toneladas.

Preços em queda esvaziam a renda das famílias

O valor médio pago por quilo caiu 10,8% na comparação entre os dois ciclos, fechando em R$ 18,07. Entre os tipos comercializados, o Virgínia foi pago a R$ 18,45/kg, o Burley a R$ 14,91/kg e o Comum a R$ 13,05/kg — este último também teve a maior queda em volume, de 11,6%. A combinação de menor produção com preços mais baixos derrubou a receita bruta da região para R$ 12,835 bilhões, sendo R$ 5,071 bilhões apenas no Rio Grande do Sul.

A comercialização foi apontada como mais difícil que no ciclo anterior. Houve relatos de cancelamento de cargas, devolução de produto às propriedades e retenção de parte da produção nos armazéns, com produtores aguardando melhores condições de mercado. A insatisfação com preços e critérios de classificação motivou mobilizações, com a principal delas reunindo fumicultores e lideranças sindicais em Santa Cruz do Sul, em 25 de maio.

Clima irregular gerou resultado desigual entre regiões

Segundo a Afubra, o desempenho da produção variou bastante conforme a área. Em algumas regiões, as lavouras tiveram bom desenvolvimento e resposta favorável às chuvas em momentos importantes do ciclo produtivo. Em outras, frio prolongado, geadas, excesso de umidade, ventos, chuvas intensas, granizo e períodos de estiagem prejudicaram o rendimento e a qualidade do produto colhido.

"Foi uma produção bastante heterogênea. Tivemos regiões com bom desenvolvimento e condições favoráveis em momentos importantes, mas também áreas prejudicadas por diferentes eventos climáticos. Por isso, a realidade não foi a mesma para todos os produtores", afirmou o presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher.

A Afubra, em conjunto com as Federações da Agricultura e dos Trabalhadores Rurais dos três estados do Sul, tem acompanhado as unidades de compra das empresas fumageiras para monitorar critérios de classificação e preços praticados. O diálogo entre produtores, entidades e empresas deve seguir nos próximos meses, à medida que as famílias produtoras avaliam o impacto da queda de renda no planejamento financeiro para o próximo ciclo.

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