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PRF intensifica fiscalização ao 'bodinho' em caminhões no RS

Alteração na cabine sem autorização pode exigir Certificado de Segurança Veicular e atualização do documento, conforme normas do Contran.

07 de agosto de 2026·Redação SulTV
Caminhão estacionado à beira da rodovia, com cabine adaptada para descanso do motorista
Caminhão estacionado à beira da rodovia, com cabine adaptada para descanso do motorista

Caminhoneiros que trafegam pelas rodovias do Rio Grande do Sul, incluindo os trechos que cruzam a Costa Doce e a região de Tapes, têm sido autuados com mais frequência nas últimas semanas por modificações estruturais feitas nas cabines dos caminhões para acomodar o tradicional "bodinho", também chamado de "cama gaúcha". As fiscalizações são conduzidas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e por órgãos de trânsito, que têm intensificado a atenção sobre alterações como a retirada de bancos, cintos de segurança e suportes originais do veículo.

O que diz a legislação

A legislação de trânsito não cita o "bodinho" ou a "cama gaúcha" por nome. O que existe é a exigência geral: qualquer alteração nas características originais do veículo depende de autorização prévia do órgão de trânsito responsável, podendo envolver inspeção de segurança, emissão de Certificado de Segurança Veicular (CSV) e atualização do documento do caminhão.

Na prática, a adaptação do espaço de descanso costuma incluir a retirada do banco do passageiro, dos cintos de segurança e de suportes originais da cabine — justamente os itens que têm chamado mais atenção das equipes de fiscalização nas abordagens recentes. Segundo as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), qualquer transformação permanente do veículo precisa seguir procedimento específico antes de circular nas estradas.

Uma tradição de gerações nas estradas

Por décadas, o "bodinho" foi a alternativa encontrada por caminhoneiros para descansar entre uma viagem e outra, numa época em que grande parte da frota brasileira não saía de fábrica com cabine-leito. A solução artesanal, criada com poucos recursos, se espalhou pelas estradas do Sul do país e passou a ser vista quase como um símbolo da cultura rodoviária gaúcha, especialmente nos caminhões mais antigos que ainda cruzam rodovias como as que cortam a Costa Doce.

O cenário mudou nas últimas décadas: hoje boa parte dos veículos pesados já sai de fábrica equipada com cabine-leito e climatização, acompanhando também as exigências da Lei do Descanso do Motorista, que determina períodos obrigatórios de repouso para reduzir acidentes provocados pela fadiga ao volante. Para especialistas ouvidos sobre o tema, o objetivo da fiscalização não é impedir o conforto do motorista, mas garantir que as alterações não comprometam a segurança dentro da cabine.

Como regularizar a modificação

Caminhoneiros que já fizeram ou pretendem fazer alterações na cabine podem procurar o órgão de trânsito responsável pelo licenciamento do veículo para verificar se a modificação exige autorização prévia. Em geral, o processo passa por inspeção de segurança veicular, emissão do Certificado de Segurança Veicular (CSV) e atualização do documento do caminhão junto ao órgão competente, conforme as normas do Contran.

Não regularizar a alteração pode resultar em autuação durante fiscalizações de rotina da PRF e de órgãos estaduais de trânsito, além de aumentar riscos em caso de acidente, já que a retirada de bancos, cintos e suportes originais altera as características de segurança previstas pelo fabricante do veículo.

A tendência, segundo especialistas, é que a fiscalização mais recorrente acelere a substituição do "bodinho" por soluções de fábrica, à medida que a frota de caminhões se renova nas estradas do Rio Grande do Sul. Para quem ainda depende da cama improvisada, a orientação é verificar a situação do veículo antes de seguir viagem, evitando autuações e prejuízos maiores em rodovias como as que cruzam a região de Tapes e a Costa Doce.

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