Preço do arroz sobe no RS e impacta economia da Costa Doce
Margens de julho seguem abaixo do ano passado, e chuvas atrasam o transporte do cereal no Estado.

Os preços do arroz em casca subiram no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, aliviando parte da pressão dos custos de produção sobre lavouras da Costa Doce e do Sul do estado, região que reúne polos orizícolas como Camaquã e Arambaré. O movimento, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Esalq/USP, foi puxado pela baixa disponibilidade de matéria-prima e pela necessidade das indústrias de recompor estoques. Ainda assim, as margens calculadas para julho ficaram abaixo das registradas no mesmo período do ano passado.
Por que o preço do arroz reagiu
De acordo com o Cepea, a escassez de matéria-prima disponível no mercado gaúcho e a corrida das indústrias para recompor estoques têm sustentado as cotações no mercado à vista. O cenário beneficia produtores da região que ainda têm arroz para vender, mas a valorização não tem sido suficiente para destravar novos negócios.
Isso porque, mesmo com o arroz em casca mais caro, produtores seguem pouco dispostos a negociar, enquanto as indústrias de beneficiamento enfrentam dificuldade para repassar a alta ao arroz que chega às gôndolas dos supermercados. Na prática, o descompasso mantém as negociações pontuais e represadas, resultado da distância entre o valor pedido por quem vende e o que os compradores estão dispostos a pagar.
Chuvas atrasam transporte e preocupam para o próximo ciclo
Outro fator que tem pesado nas negociações é o clima. Chuvas registradas em algumas regiões produtoras do Rio Grande do Sul dificultaram o transporte do cereal entre lavouras, armazéns e indústrias, atrasando entregas e contribuindo para a escassez momentânea de matéria-prima no mercado.
O excesso de umidade também começa a acender um alerta entre produtores da Costa Doce: o preparo do solo para o próximo ciclo do arroz, o 2026/27, pode ser prejudicado caso as chuvas persistam nas próximas semanas, o que tende a manter o mercado em compasso de espera.
Para as cidades da Costa Doce que têm no arroz um dos motores da economia local, a recuperação dos preços é vista com cautela: a melhora ajuda a equilibrar as contas de quem produz, mas ainda não é suficiente para reverter as margens mais apertadas registradas neste ano. Nas próximas semanas, o comportamento do clima e o ritmo das indústrias devem seguir como os principais termômetros para o mercado do arroz na região.
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