MP do crédito rural cobre só 9,9% da dívida agrícola no RS
Saldo de dívidas em atraso soma R$ 45 bilhões no Estado e cresceu R$ 5,1 bilhões só entre abril e julho, aponta a Farsul.

Um levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que as linhas de crédito criadas pela Medida Provisória 1.376/2026 para renegociar dívidas rurais atenderam apenas 9,9% do saldo problemático do crédito agrícola gaúcho até o momento. Das R$ 45 bilhões em dívidas consideradas de difícil pagamento no estado, apenas R$ 4,47 bilhões foram contratados dentro das novas regras, segundo o estudo, que utiliza como base o painel de acompanhamento do Banco Central.
Dívida rural sobe mais rápido que o alívio
Enquanto a MP contratava os R$ 4,47 bilhões no Rio Grande do Sul, o saldo problemático do crédito rural gaúcho seguiu em alta. Segundo os cálculos da Farsul, entre abril e julho de 2026 o aumento foi de R$ 5,1 bilhões — mais do que tudo o que a medida liberou no estado no mesmo período.
O levantamento aponta que esse saldo já representa 41,3% de toda a carteira de crédito rural gaúcha e é cinco vezes maior do que em janeiro de 2024, antes da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul. A entidade lembra ainda que uma projeção feita em julho, com base em contratos de uma amostra de produtores, já indicava que apenas 11,7% do saldo devedor se encaixaria nas regras da MP, mesmo em cenário favorável.
Cooperativas e banco estadual concentram as contratações
Na distribuição dos valores contratados no país, o custeio respondeu por 71,1% do total e a rolagem de operações já renegociadas pela MP 1.314/2025 por 26,3%. A linha de investimento ficou com apenas 1% do volume, enquanto outras modalidades nem aparecem no painel de acompanhamento do Banco Central.
Entre as instituições financeiras, Sicredi e Banrisul foram responsáveis por 89% de todo o valor contratado no país, reforçando o peso das cooperativas e do banco estadual no socorro ao crédito rural gaúcho. O Banco do Brasil, por comparação, contratou R$ 0,29 bilhão — fração bem menor diante da concentração das instituições regionais.
Prazo final em novembro pressiona o Congresso
A Medida Provisória perde a validade em 11 de novembro, com prazo para novas contratações encerrando um dia depois, em 12 de novembro. Antes disso, o relatório do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ainda precisa ser aprovado na Comissão Mista, votado na Câmara e no Senado, sancionado pela Presidência da República e regulamentado por uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional.
A Farsul avalia que o parecer do relator incorporou cinco das sete sugestões de redação enviadas pela entidade ao Governo Federal em julho, mas cobra ajustes adicionais — como a contagem do prazo de contratação a partir da publicação da lei e a inclusão de parcelas do Fundo Social que vencem em 2026. O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, defende que o tema seja votado com urgência no Congresso Nacional, argumentando que a decisão sobre o crédito já começa a ser tomada pelos bancos e pode ficar definida antes mesmo de a lei entrar em vigor.
A Farsul deve seguir acompanhando a tramitação do parecer no Congresso Nacional e reforça que novos ajustes ainda podem ser incorporados ao texto antes da votação final. Enquanto o desfecho não é definido, o volume de dívidas pendentes no crédito rural gaúcho continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre a economia regional, com reflexo em bancos, cooperativas e na atividade econômica dos municípios do interior do Rio Grande do Sul.
📲 Receba as notícias da região no WhatsApp — siga o Canal da SulTV.
📱 Acompanhe a SulTV no Facebook e no Instagram e fique por dentro do que importa na Costa Doce e no Sul do RS.
Mais de Negócios

Paramount e Warner Bros. se fundem por US$ 110 bi
Operação cria a Skydance Corporation e deve ser concluída nesta terça-feira (6), unindo Paramount+, HBO Max, CBS e CNN sob o mesmo grupo.

Anvisa libera regras simples para cosméticos artesanais
Validade máxima de 12 meses e rótulo obrigatório valem para sete categorias, de sabonetes a desodorantes em barra.

Produção industrial recua 0,6% em agosto e setor perde dinamismo no ano
Juros elevados e comprometimento da renda das famílias ajudam a explicar retração, aponta IBGE