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Irrigação e manejo do solo reduzem riscos climáticos na lavoura gaúcha

Em seminário na Farm Show de Dom Pedrito, especialistas defenderam uso eficiente da água e conservação do solo contra as estiagens

15 de outubro de 2026·Redação SulTV
Seminário sobre integração lavoura-pecuária reuniu especialistas na 93ª Farm Show de Dom Pedrito. Foto: Lucas Vieira/Divulgação
Seminário sobre integração lavoura-pecuária reuniu especialistas na 93ª Farm Show de Dom Pedrito. Foto: Lucas Vieira/Divulgação

A irrigação e o manejo adequado do solo podem ser aliados importantes para reduzir os impactos das adversidades climáticas sobre a produção agropecuária do Rio Grande do Sul. A avaliação foi apresentada pelo subsecretário Estadual de Irrigação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Davi Teixeira, durante palestra nesta quarta-feira (14), na 93ª Farm Show de Dom Pedrito.

Irrigação como segurança produtiva

Teixeira foi um dos palestrantes do Seminário sobre Integração Lavoura-Pecuária, promovido pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Campus Dom Pedrito, Sebrae e Sindicato Rural do município, dentro da 1ª Semana Acadêmica da Agronomia. O evento ocorre no Parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura e integra a programação da feira, que segue até sábado (18).

Segundo o subsecretário, a recorrência de períodos de estiagem no Estado reforça a necessidade de ampliar o uso da irrigação como ferramenta de segurança produtiva. "Temos passado por momentos de muita adversidade climática. Grande parte das frustrações da agricultura decorre de anos de estiagem forte. A irrigação entra como uma ferramenta muito importante que temos tentado impulsionar no Rio Grande do Sul", afirmou.

Para ele, a irrigação deve estar associada a outras práticas de manejo, especialmente à conservação do solo. "Precisamos discutir o bom manejo do solo, visto que ele é o maior e melhor reservatório de água e nutrientes que temos. Depois vêm as barragens e os sistemas de irrigação", ressaltou.

Terras baixas e vocação arrozeira

Ao abordar a região da Campanha, Teixeira chamou atenção para o grande número de propriedades com áreas de terras baixas e para a tradição do cultivo de arroz. Segundo ele, essas áreas apresentam oportunidades e desafios distintos em relação às culturas de sequeiro, como a soja.

Nas terras baixas, a irrigação por gravidade utilizada na produção de arroz reduz o risco associado à falta de chuva. Já culturas como a soja ficam mais expostas aos períodos prolongados de estiagem. "Essas áreas têm o viés da irrigação superficial por gravidade, que já tira o risco da estiagem, pelo menos. Já as culturas de sequeiro, principalmente a soja, sofrem muito com as estiagens", observou.

Manejo biológico e integração lavoura-pecuária

A cofundadora e CEO da Inocular Soluções Agrícolas, Rosana Taschetto Vey, abordou o manejo biológico e a relação entre microrganismos, estrutura do solo e integração entre lavoura e pecuária. Segundo ela, a preparação do solo passa pelo aumento da cobertura, do enraizamento e da matéria orgânica, o que melhora a capacidade de reter e infiltrar água.

Rosana também destacou a importância do equilíbrio entre produção agrícola e pecuária nos sistemas integrados. "Quando temos a presença da palhada, o pisoteio praticamente deixa de ser um problema. O cuidado com o solo, no médio e longo prazo, melhora tanto a produção agrícola quanto a pecuária", afirmou.

Após as palestras, os especialistas participaram de uma atividade interativa com o público, mediada pelo coordenador de Pecuária de Corte do Sebrae, André Bordignon, e com a participação do produtor rural Edison Fontoura Júnior, de Dom Pedrito.

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