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Economia brasileira deve crescer menos em 2026: CNI reduz previsão do PIB

Agropecuária é o único setor com projeção revisada para cima; serviços e indústria de transformação puxam desaceleração

29 de outubro de 2026·Redação SulTV
CNI reduz projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,6% em 2026
CNI reduz projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,6% em 2026

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, segundo o Informe Conjuntural do 3º Trimestre. A revisão reflete perspectivas menos favoráveis para a indústria, principalmente a de transformação, e para o setor de serviços, cujo desempenho deve se sobrepor às contribuições positivas da agropecuária e da indústria extrativa.

Indústria sente mais a desaceleração

A projeção de crescimento da indústria caiu de 2% para 1,3%, a maior revisão negativa entre os setores analisados. A expansão de 9,1% esperada para a indústria extrativa não será suficiente para compensar a indústria de transformação, cuja previsão de queda foi mantida em 0,7%.

Segundo a CNI, a indústria de transformação segue pressionada pela fraqueza da demanda interna, pela piora das condições financeiras de empresas e famílias em razão dos juros elevados, pela entrada de produtos importados e pelo aumento dos custos de produção. A construção manteve estimativa de alta de 1,5%, apoiada pelo programa Minha Casa, Minha Vida e por investimentos em infraestrutura.

Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sergio Telles, os setores mais dependentes do mercado interno são os mais afetados. “Quem está mais dependente de mercado interno está sendo muito afetado por conta da taxa de juros”, afirma.

Agropecuária na contramão

O setor de serviços também apresenta sinais de esgotamento, com estabilidade do volume de atividades desde o fim de 2025 e desaceleração do comércio varejista. A projeção de crescimento do PIB de serviços recuou de 1,9% para 1,6%.

Na direção oposta, a agropecuária foi o único setor produtivo a registrar melhora na estimativa, impulsionada pela revisão positiva para a segunda safra de milho. A projeção de avanço do PIB agropecuário passou de 1,8% para 2,5%, resultado que interessa de perto à Zona Sul gaúcha, região de forte vocação agrícola na Costa Doce.

Juros, inflação e emprego

A CNI projeta que o IPCA acumule alta de 5,15% em 2026, ante 4,26% em 2025, influenciado por alimentos, preços administrados e serviços. A entidade espera que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das duas reuniões restantes do ano, encerrando 2026 em 13,25% ao ano.

Ainda assim, Telles avalia que há espaço para cortes mais rápidos. “Juros a 13,25% ao fim do ano representam uma taxa de juros real de 9%. Isso é quase o dobro da taxa neutra, que é de 5%. Portanto, ainda desestimula fortemente o crescimento da economia”, afirma.

O mercado de trabalho deve seguir sustentando a demanda, com crescimento de 1,2% da população ocupada e recuo da taxa de desemprego de 5,3% para 5% até o fim do ano. A massa de rendimentos reais deve crescer 4,6% em relação a 2025.

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