Diesel chega em menor volume no RS e preocupa transportadoras
Fetransul aponta compra do combustível por empresas de SC e do PR na mesma refinaria como causa do gargalo.

Transportadoras, produtores rurais e revendedores de combustível do Rio Grande do Sul têm enfrentado dificuldade para receber a quantidade de diesel solicitada à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas. Diante da incerteza sobre o cenário internacional de preços e abastecimento, empresas de logística do Sul do estado, região que inclui Pelotas, passaram a antecipar pedidos e reforçar estoques do combustível, usado no transporte de cargas e no abastecimento das revendedoras da região.
Refap garante abastecimento, mas demanda de fora do estado pressiona
Conforme o diretor de Infraestrutura da Federação das Empresas de Logística e de Transporte de Cargas (Fetransul), Paulo Ziegler, não há falta de diesel na origem: a Refap teria condições de atender toda a demanda do Rio Grande do Sul. O gargalo, segundo ele, está relacionado à compra do combustível por empresas de Santa Catarina e do sul do Paraná, que também abastecem parte da frota na refinaria gaúcha.
Essa concorrência por volume, somada à instabilidade nos preços internacionais do petróleo, tem levado transportadoras e postos revendedores do Rio Grande do Sul a anteciparem pedidos e ampliarem os estoques como forma de se proteger de eventual desabastecimento pontual, mesmo sem confirmação de que faltará diesel no estado.
Reflexo no transporte de cargas e no comércio regional
O diesel é o combustível que move a maior parte da frota de caminhões responsável por abastecer supermercados, revendas de material de construção, distribuidoras e o comércio em geral nas cidades da Costa Doce e do Sul do RS. Qualquer instabilidade na entrega às transportadoras tende a repercutir no custo do frete e, por consequência, no preço final de produtos que chegam às prateleiras.
Produtores rurais que dependem do transporte de insumos e do escoamento da produção também fazem parte do grupo que monitora de perto o fornecimento, já que picos de demanda concentrada podem gerar filas e atrasos nos pontos de abastecimento, mesmo em cenário de oferta considerada suficiente pela distribuidora.
A Fetransul deve continuar acompanhando a evolução do abastecimento junto à Refap e aos demais fornecedores que atendem o Rio Grande do Sul. Para transportadoras e revendedores da região de Pelotas, a orientação é manter o monitoramento dos pedidos e evitar compras por antecipação excessiva, já que a entidade reforça que não há, até o momento, confirmação de desabastecimento generalizado no estado.
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