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Cidade do Agro já reúne mais de 150 empresas e quer fazer da zona sul uma vitrine permanente do agro

Idealizado pelo produtor Lauro Ribeiro, o projeto de 200 hectares às margens da BR-293, entre Pelotas e Capão do Leão, implanta as primeiras áreas demonstrativas nesta safra e aposta em pesquisa, inovação e jovens no campo

26 de setembro de 2026·Redação SulTV
Divulgação/Cidade do Agro
Divulgação/Cidade do Agro

A zona sul do Rio Grande do Sul ganhou um projeto que pretende mudar a forma como o agro se encontra com a pesquisa, com a indústria e com a própria cidade. A Cidade do Agro, idealizada pelo produtor rural Lauro Ribeiro, diretor da Agropecuária Canoa Mirim, de Santa Vitória do Palmar, ocupa cerca de 200 hectares às margens da BR-293, entre Pelotas e Capão do Leão, e já soma mais de 150 empresas parceiras. As primeiras áreas demonstrativas começam a ser implantadas nesta safra, entre o fim de setembro e outubro.

Conectar o campo à cidade

A proposta foi apresentada por Lauro Ribeiro em painel sobre o projeto na Expointer, em Esteio, no dia 31 de agosto, ao lado do presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, do ex-presidente da John Deere Brasil Paulo Herrmann e do gerente-executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema Fiergs, Victor Gomes. "O nosso propósito é realmente conectar o campo à cidade", resumiu o fundador.

Na avaliação de Lauro, a pesquisa muitas vezes está desalinhada com o mercado por falta de interação entre quem pesquisa, quem produz e quem industrializa, e a sociedade urbana se afasta do agro por não entender o que acontece no campo. A Cidade do Agro nasce para juntar essas pontas num mesmo endereço.

A região foi escolhida pela concentração de estrutura: duas unidades da Embrapa em Pelotas e Capão do Leão, o Irga, universidades como UFPel, FURG e UFSM atuando no entorno e eventos técnicos de peso, como a Abertura Oficial da Colheita do Arroz.

Da enchente ao projeto

A ideia tem origem nas enchentes de maio de 2024. Na época, produtores de arroz da zona sul levaram bombas de irrigação das lavouras para drenar áreas alagadas em Pelotas, Porto Alegre, no aeroporto Salgado Filho, em São Leopoldo e em Novo Hamburgo, no movimento que ficou conhecido como Projeto Drenar. A pergunta que ficou foi por que o setor, capaz de se unir na emergência, não se organizava de forma permanente para desenvolver a região.

O diagnóstico que move o projeto é o da Metade Sul com industrialização estagnada há mais de duas décadas e com a cadeia produtiva que, nas palavras de Lauro, muitas vezes "termina na porteira". Foram cerca de dois anos de gestação até o lançamento, feito em julho, em Pelotas.

Vitrines o ano inteiro, instituto e polo industrial

O desenho combina quatro frentes: uma estação de pesquisa, áreas demonstrativas, chamadas de vitrines tecnológicas, um complexo industrial e logístico com lotes para empresas e o Instituto Cidade do Agro, entidade sem fins lucrativos que está em constituição. O instituto deve abrigar centro de eventos, hub de inovação, laboratórios e um museu do agro.

"A nossa ideia é que não seja só um evento, ele seja disponível os 365 dias do ano", explicou Lauro, lembrando que no agro cada semana é diferente e o produtor precisa ver a tecnologia funcionando ao longo do ciclo das culturas. Em 2027, as vitrines devem ser ampliadas, com a construção dos espaços de relacionamento. No complexo industrial, a fase atual é de obras de infraestrutura e comercialização dos lotes.

Para o fundador, o museu é peça-chave: "O museu é comunicação". A ideia é contar cada elo da cadeia do agro para a própria cadeia e para quem vive na cidade.

A adesão surpreendeu os próprios organizadores. "A gente tem mais de 150 empresas que já fazem parte do nosso projeto. Eu, sendo bem honesto, esperava que a gente chegasse a 30 no primeiro ano", contou. Entre os apoiadores divulgados pelo projeto estão Irga, Emater/RS, Sebrae RS, Federarroz, a Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel e o Inova Agro da UFPel, a Prefeitura de Capão do Leão e entidades empresariais de Pelotas, além de empresas de insumos, máquinas, sementes e cooperativas de crédito.

Espaço para os jovens no campo

No painel, o projeto foi apontado como resposta a um dos gargalos da região: a saída de jovens. "Existe espaço para os jovens no agro, não precisa ir embora, não precisa ir para a cidade para ser bem realizado. O Lauro é um exemplo disso", afirmou Paulo Herrmann, que é natural da Metade Sul e defendeu a iniciativa como antídoto ao pessimismo regional. Para ele, a Metade Sul é "a nova fronteira agrícola do Brasil", com cerca de 4 milhões de hectares que ainda podem entrar em produção, além de porto e universidades.

Domingos Velho Lopes seguiu a mesma linha. Segundo o presidente da Farsul, o Estado não pode mais admitir "perder as nossas mentes jovens para outros estados ou para outros países", e a saída passa por unir pesquisa, extensão rural, ciência e tecnologia. Ele classificou a Cidade do Agro como uma iniciativa propositiva, alicerçada na ciência e na tecnologia.

A diversificação também entrou na conversa: culturas como canola, girassol, oliveiras e hortifrúti aparecem entre as apostas para a agricultura profissional da zona sul, e a incubação de negócios deve começar pela hortifruticultura.

Próximos passos

A agenda da Cidade do Agro segue movimentada. Nesta semana, o projeto foi apresentado ao setor de energias renováveis, na sede do Sindienergia-RS, em Porto Alegre, com foco na transição energética no campo. Na 100ª Expofeira de Pelotas, de 5 a 12 de outubro, a iniciativa apoia a Conferência Rural e a Fazendinha, espaço em que crianças das escolas conhecem de perto os animais e a produção. Para março de 2027, está prevista a apresentação do projeto em Punta del Este, no Uruguai.

A Cidade do Agro chega num momento em que a zona sul busca ocupar mais espaço no ecossistema gaúcho de inovação: em março, oito empresas do Pelotas Parque Tecnológico participaram do South Summit Brazil, em Porto Alegre. Com as primeiras vitrines saindo do papel nesta safra, o projeto de Lauro Ribeiro passa a ser acompanhado de perto por produtores, pesquisadores e empresas que apostam na Metade Sul como a próxima fronteira do agro gaúcho. A SulTV segue acompanhando a implantação.

Com informações de Cidade do Agro

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