Chuva de mais de 300 mm afeta lavouras e estradas na Costa Doce
Perdas em tabaco e hortifrúti podem pressionar o preço de alimentos na região nas próximas semanas.

Uma sequência de chuvas fortes atingiu a Costa Doce nos últimos dias e já provoca prejuízos a produtores rurais entre Camaquã e Pelotas. Segundo relatos de quem trabalha na área, o acumulado das últimas chuvas passa de 300 milímetros em algumas propriedades, volume que encharcou o solo, comprometeu lavouras e deixou estradas de chão praticamente intransitáveis em diversos trechos da região.
Estradas de chão ficam intransitáveis
Nas propriedades mais afetadas, o volume de água alterou o acesso às lavouras e às vias que ligam o meio rural às rodovias da região. O produtor William Fischer da Cunha, da Banca Dois Garotos, relatou que trechos de estrada perto de sua propriedade acumularam barro e que a água chegou a entupir tubulações usadas para escoamento, reduzindo pontos de acesso.
Conforme o produtor, alguns trechos precisam de intervenção com máquinas para desobstruir os canos e permitir que a água volte a escoar normalmente. Sem isso, moradores e produtores da região correm o risco de ficar com opções ainda mais limitadas de deslocamento até as estradas principais.
Solo encharcado atrasa preparo das lavouras
O excesso de umidade também compromete o trabalho nas lavouras. Uma avaliação técnica realizada na propriedade identificou danos provocados pela chuva contínua, que impede o uso de máquinas em áreas já preparadas para o cultivo de milho, feijão e tomate. Segundo o produtor, uma tentativa de preparar terreno para tomate terminou com o trator atolado, mesmo em uma área que aparentava estar seca na superfície.
A situação também afeta cultivos sensíveis à luz solar, como o tabaco, que depende de dias ensolarados para completar a fotossíntese e ganhar massa nas folhas. Com a sequência de dias fechados, folhas chegaram a cair das plantas antes do esperado. Hortaliças e frutas que dependem de mais horas de sol para desenvolver sabor e qualidade também podem ser prejudicadas caso o tempo instável persista.
Perdas podem pressionar preço de alimentos
As perdas registradas na Costa Doce não se limitam a uma propriedade: produtores de diferentes pontos da região, incluindo áreas próximas a Pelotas, relatam problemas semelhantes. Como parte da produção afetada abastece diretamente feiras e mercados das cidades da região, a expectativa é de que o cenário possa pressionar os preços de hortaliças, frutas e demais itens de hortifrúti nas próximas semanas.
Apesar das dificuldades, a Banca Dois Garotos mantém a expectativa de participar da Expo Varejo Costa Doce 2026 e amplia a produção com a retomada da criação de galinhas e a venda de ovos direto ao consumidor. A continuidade das chuvas nos próximos dias deve ser decisiva para definir se os atrasos no preparo do solo se estendem também aos próximos plantios da região.
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