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Arroz sobe no RS, mas reajustes perdem força

Indústrias de outros estados, como Goiás, aumentam a disputa pela matéria-prima disponível no Estado.

12 de setembro de 2026·Redação SulTV
Sacas de arroz em casca armazenadas em unidade de beneficiamento no Rio Grande do Sul
Sacas de arroz em casca armazenadas em unidade de beneficiamento no Rio Grande do Sul

As cotações do arroz em casca continuam em alta no Rio Grande do Sul, mas o ritmo dos reajustes diminuiu nas últimas semanas, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento ocorre porque parte das indústrias processadoras já garantiu volume suficiente de matéria-prima em compras recentes e passou a reduzir a procura por novos lotes, enquanto produtores capitalizados mantêm os preços de venda mais elevados, na expectativa de valorizações adicionais.

Indústrias reduzem ritmo de compras

No mercado à vista, produtores mostraram pouca disposição para negociar pelos valores oferecidos pelas indústrias processadoras. Grande parte dos vendedores optou por manter os lotes estocados, apostando em preços ainda mais altos nas próximas semanas, de acordo com o Cepea.

Em alguns casos, no entanto, a proximidade de compromissos financeiros levou produtores a ampliar pontualmente a oferta de venda, mesmo sem obter o valor desejado. Do lado das indústrias, o comportamento também variou: parte das empresas já garantiu volume suficiente de matéria-prima nas últimas semanas e reduziu o ritmo de compras, enquanto outras mantiveram as ofertas praticamente estáveis ou fizeram apenas pequenos reajustes de preço.

Disputa por matéria-prima com outros estados

Pesquisadores do Cepea apontam que a diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e os oferecidos pelas indústrias continua sendo o principal obstáculo para o fechamento de novos negócios no Rio Grande do Sul.

Em algumas regiões produtoras, esse impasse se soma à entrada de compradores de outros estados no mercado gaúcho — como indústrias de Goiás, que passaram a disputar diretamente o arroz disponível no Rio Grande do Sul. A concorrência extra contribui para sustentar os preços em um patamar mais alto, mesmo com a demanda mais seletiva das processadoras locais.

Reflexo no preço do arroz nas cidades

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do Brasil, e parte importante da safra abastece o mercado interno, incluindo o consumo das famílias da Costa Doce e do restante do Sul do Estado. Por isso, a manutenção dos preços em alta no campo tende a repercutir, ao longo do tempo, no valor do arroz encontrado em supermercados e mercearias da região.

O ritmo mais lento de reajustes registrado nas últimas semanas, contudo, sugere que essa pressão pode perder força nos próximos meses, caso a procura das indústrias continue mais seletiva e o volume de negócios se mantenha reduzido no mercado gaúcho.

A tendência, segundo o Cepea, é de continuidade do impasse entre produtores e indústrias no curto prazo, com o mercado do arroz no Rio Grande do Sul também sob influência da demanda de compradores de outros estados. A evolução dos preços deve seguir sendo monitorada nas próximas semanas, tanto pelo impacto na renda dos produtores quanto pelos possíveis reflexos no custo de vida das famílias gaúchas.

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