Vício em apostas leva casal de Camaquã a perder R$ 7 mil
Caso foi tema de conversa com a psicóloga Renata Maines no Redação SulTV, durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio

Um casal de Camaquã perdeu R$ 7 mil apostando em plataformas de bets — sem que um soubesse do vício do outro — caso que a psicóloga camaquiense Renata Maines usou para abrir a conversa sobre saúde mental no Setembro Amarelo, mês nacional de prevenção ao suicídio, no Redação SulTV.
Assista mais no canal da SulTV no YouTubeSegundo o relato levado ao programa, tudo começou com uma aposta de R$ 20, vista como um "investimento" que teria retorno rápido. O valor virou R$ 150, depois R$ 200 — e, em vez de sacar, o apostador seguiu jogando. Só depois se descobriu que a esposa também apostava, escondida, no banheiro de casa. Juntos, os dois somaram um prejuízo de R$ 7 mil.
Para Renata Maines, o caso ilustra um mecanismo bem documentado pela ciência. "Todo o material que temos hoje, baseado em evidências, mostra que é a mesma área de recompensa que se ativa, a mesma área que se ativa no uso de drogas, quando esse controle de impulso não para. É um vício, é uma obsessão", afirmou a psicóloga.
Ela alerta que a dívida contraída em silêncio — pelo medo ou vergonha de contar para outra pessoa — costuma ser um fator de risco real para o suicídio. "Abrir-se para outra pessoa sobre o que está acontecendo é o que nos ajuda a encontrar uma solução", disse Renata, lembrando que o suicídio "tem em sua base a invalidação, seja a autoinvalidação ou a percepção de que o mundo nos invalida. Ninguém quer deixar de pertencer."
A psicóloga compara o mercado de apostas ao do cigarro e do álcool: "Todo mundo sabe que fumar mata, todo mundo sabe que beber mata. Ainda assim, seguem sendo comercializados. Não existe interesse genuíno em acabar com isso — porque alguém está ganhando com aquilo", disse.
A própria história da psicóloga com o jogo
Renata contou que, nos anos em que morava em Porto Alegre e trabalhava terceirizada na Caixa Federal, também apostava — no jogo do bicho, perto do trabalho, e na Mega-Sena, aos sábados. Segundo ela, era uma forma de tentar melhorar uma condição financeira apertada, depositando numa expectativa externa algo que não estava em suas mãos. "Fé, para mim, é coragem", resumiu a psicóloga, que deve retornar ao programa ainda em setembro para aprofundar o tema com mais dados sobre o setor de apostas.
Quem precisar de apoio psicológico pode procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV), que atende gratuitamente 24 horas pelo telefone 188.
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