Vento Sul eleva Guaíba a 2,02 m e atinge Lagoa dos Patos
Não há previsão de o rio chegar às cotas de alerta (2,5 m) ou inundação (3 m), mas o efeito é sentido em municípios da Costa Doce, como Tapes, Camaquã e Arambaré.

O nível do Guaíba ultrapassou a cota de cheia de 2 metros no fim de semana e chegou a 2,02 metros na manhã do último domingo (9), conforme a régua de medição do Cais Mauá, no Centro Histórico de Porto Alegre. A alta foi provocada pelo vento do quadrante Sul, que chegou junto com uma massa de ar frio sobre o Rio Grande do Sul e dificultou o escoamento das águas dos rios que desembocam no Guaíba, refletindo também no setor Norte da Lagoa dos Patos, área que banha municípios da Costa Doce.
Como o vento represa as águas do Guaíba
O vento Sul funciona como uma barreira ao escoamento natural das águas em direção à Lagoa dos Patos. Quando sopra com intensidade e por muitas horas, ele dificulta a saída da água que chega ao Guaíba pelos rios Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí, fazendo o nível subir mesmo sem chuva na região.
Antes da nova alta, o Guaíba vinha em queda: na tarde de sábado (8), a régua do Cais Mauá marcava 1,83 metro. A curva se inverteu com a chegada da massa de ar frio e do vento Sul sobre o setor Norte da Lagoa dos Patos, repetindo um padrão já visto na quinta-feira (6), quando uma frente fria com temporal também provocou um repique passageiro no nível do rio.
Sem risco para Porto Alegre, mas atenção na Lagoa dos Patos
Não há previsão de o Guaíba avançar até a cota de alerta, de 2,5 metros, e muito menos até a cota de inundação, de 3 metros. A expectativa é de que a elevação seja temporária e não avance muito, sem risco para a cidade — apenas pontos muito próximos ao rio, principalmente nas ilhas, podem registrar alagamentos pontuais e de pequena extensão.
O represamento provocado pelo vento também se propaga para o setor Norte da Lagoa dos Patos, área que banha municípios da Costa Doce, como Tapes, Camaquã e Arambaré. O episódio chegou em um momento favorável: se o mesmo vento Sul tivesse ocorrido durante o pico da cheia de final de julho, quando o Guaíba já estava acima de 2,5 metros, o nível poderia ter se aproximado da cota de inundação de 3 metros.
O quadro deve seguir sendo monitorado nos próximos dias, já que novas passagens de frentes frias e mudanças no vento são comuns neste período do ano na Metade Sul. Moradores de áreas mais baixas próximas ao Guaíba e à Lagoa dos Patos devem manter atenção aos boletins oficiais caso o cenário mude.
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