Vento do ciclone interrompe baixa e eleva o Guaíba a 1,87 m
Rio caiu a 1,77 metro na madrugada antes da virada; represamento das águas também atinge a porção norte da Lagoa dos Patos, aponta a previsão meteorológica.

O vento Sul trazido pelo ciclone extratropical que atinge o Rio Grande do Sul interrompeu nesta sexta-feira (7) a queda do nível do Guaíba e provocou uma elevação súbita nas últimas horas, com reflexo no represamento das águas que escoam para a Lagoa dos Patos. Pela manhã, a régua de medição do Cais Central, na Avenida Mauá, em Porto Alegre, marcava 1,87 metro — alta em relação aos 1,77 metro registrados na madrugada, antes da entrada do vento mais forte.
Vento Sul barra o escoamento das águas
O fenômeno registrado nesta sexta é chamado de represamento pelo vento. Quando sopra com intensidade e por muitas horas, o vento Sul age no sentido contrário ao escoamento natural do Guaíba em direção à Lagoa dos Patos, funcionando como uma barreira para a grande quantidade de água que chega dos rios Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí.
Quanto mais forte e persistente for o vento, maior tende a ser o represamento — efeito que se intensifica quando coincide com grandes volumes de água vindos das bacias hidrográficas da região metropolitana. À medida que o escoamento fica mais lento, a água passa a se acumular na porção norte da Lagoa dos Patos e na região do Guaíba, elevando o nível de forma gradual.
Elevação deve ser temporária, mas pede atenção nas ilhas
A previsão meteorológica indica que a alta motivada pelo vento tende a ser pontual, sem grande incremento adicional nos próximos dias, e não representa risco generalizado para Porto Alegre e para os municípios do entorno do Guaíba. Apenas pontos muito próximos da margem, principalmente nas ilhas, podem registrar alagamentos menores, já que não há previsão de uma onda de vazão dos rios que, somada ao vento, eleve o nível de forma significativa.
O momento em que o vento chegou foi favorável: o Guaíba estava abaixo da cota de 2,00 metros quando a virada começou. Caso o mesmo episódio de vento Sul tivesse ocorrido na semana passada, durante o pico da cheia, quando o rio bateu 2,50 metros, o nível poderia ter se aproximado da cota de inundação, fixada em 3 metros.
Por que o episódio interessa ao Sul do Estado
Episódios de vento Sul intenso após períodos de muita chuva costumam preocupar não só Porto Alegre, mas toda a bacia que deságua na Lagoa dos Patos — referência hidrográfica que também molda a rotina de municípios da Costa Doce e do Sul do Rio Grande do Sul. Mesmo quando a chuva já diminuiu ou parou, o nível da água pode continuar subindo justamente pela dificuldade de escoamento provocada pelo vento, um padrão que ajuda a explicar oscilações observadas ao longo da Lagoa dos Patos nos dias seguintes a frentes mais intensas.
Para quem vive nas cidades da região, o episódio reforça a importância de acompanhar a evolução do vento e do nível da água nos dias seguintes a frentes frias mais fortes, sobretudo em pontos baixos próximos à lagoa e aos rios que a alimentam.
A régua do Cais Central segue como principal referência para acompanhar a situação nas próximas horas. Enquanto o vento Sul se mantiver, o nível do Guaíba deve ser monitorado, mas a expectativa é de estabilização, sem impactos além dos pontos mais baixos junto às margens do rio.
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