Vendaval deixa rastro de destruição na Zona Sul e São Lourenço do Sul decreta calamidade
Serviços essenciais são retomados aos poucos, mas telhados destruídos e falta de energia ainda afetam milhares de moradores da região.

O vendaval que atingiu a Zona Sul do Rio Grande do Sul mantém dezenas de municípios em situação crítica na noite de 22 de setembro de 2026, com residências destelhadas, quedas de árvores e postes e interrupção de energia elétrica, água, telefonia e internet. Em São Lourenço do Sul, na Costa Doce, a Prefeitura declarou Estado de Calamidade Pública. A Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC 4) aponta recuperação gradual dos serviços, mas alerta que os números de danos ainda podem crescer conforme a comunicação for restabelecida no interior.
Situação em São Lourenço do Sul
O Município declarou Estado de Calamidade Pública por meio do Decreto nº 7.077/2026, diante dos impactos nas zonas urbana e rural. Foram registrados danos em residências, galpões, prédios públicos e infraestrutura, com rajadas de vento de até 96,12 km/h.
Entre os equipamentos atingidos estão a Rodoviária Municipal, uma escola e a estrutura pública destinada ao atendimento de crianças com autismo. Também há problemas em pontes e localidades rurais, além de dificuldades no fornecimento de energia elétrica e nas comunicações.
Servidores da Defesa Civil Estadual devem estar no município no final da manhã de 23 de setembro para verificação detalhada dos impactos, avaliação das necessidades e apoio às ações municipais.
Municípios mais atingidos
Pelotas permanece entre os de maior impacto, com estimativa preliminar de cerca de 336 mil pessoas afetadas e registro de um óbito, cujas circunstâncias são apuradas pelas autoridades. A Prefeitura estima mil árvores derrubadas ou severamente danificadas e três famílias seguem acolhidas na Casa de Passagem. O Sanep já distribuiu mais de 200 mil litros de água potável a hospitais e instituições públicas.
Rio Grande decretou Situação de Emergência Nível II, com ventos de 113,7 km/h e mais de 80% da rede elétrica atingida; cerca de 30 mil consumidores ainda estavam sem energia. Em São José do Norte, cerca de 700 residências foram afetadas e aproximadamente 3 mil pessoas atingidas, com maior impacto nas localidades pesqueiras. Capão do Leão contabiliza mais de mil postes caídos e nove pessoas desabrigadas.
Recuperação lenta e demanda por telhas
Em municípios como Piratini, Pinheiro Machado, Cerrito e Pedras Altas, a falta de energia elétrica ainda compromete o abastecimento de água no interior, especialmente em comunidades rurais dependentes de poços e bombeamento elétrico. Vários municípios avaliam a decretação de Situação de Emergência e pedem apoio complementar do Estado.
A demanda por telhas é generalizada. Em Pinheiro Machado, o estoque municipal está praticamente esgotado após evento adverso no mês anterior. Já em cidades como Jaguarão, Arroio Grande, Chuí e Herval, a energia e a internet foram parcialmente restabelecidas, com cenário de recuperação gradual.
A CREPDEC 4 ressalta que os quantitativos de danos e de pessoas afetadas permanecem sujeitos a alterações à medida que os serviços de comunicação forem restabelecidos e novas localidades forem acessadas pelas equipes municipais.
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