Treinador de vôlei é preso suspeito de abusar de alunos em Veranópolis
Investigação começou em julho após denúncia de pai de aluno; Federação Gaúcha de Vôlei já suspendeu o treinador de atividades oficiais.

A Polícia Civil prendeu preventivamente o proprietário de uma escola de voleibol em Veranópolis, na Serra Gaúcha, suspeito de cometer crimes sexuais contra alunos adolescentes. Leandro Gayeski, de 29 anos, foi detido na terça-feira (20) durante o avanço de uma investigação aberta em julho, após o pai de um aluno denunciar abuso sofrido pelo filho. Nos celulares e computadores apreendidos, os investigadores encontraram imagens de nudez e exposição íntima envolvendo adolescentes.
Câmeras no alojamento e festas com bebida alcoólica
Segundo o delegado Tiago Madalosso Baldin, responsável pelo caso, Gayeski também usava um sistema de câmeras para monitorar os estudantes que ficavam no alojamento do Centro de Treinamento Associação Unidos pelo Voleibol, em Veranópolis. Conforme a investigação, apenas o proprietário tinha acesso às imagens captadas pelos equipamentos.
A Polícia Civil apura ainda a realização de festas em que o suspeito teria oferecido bebidas alcoólicas a adolescentes e registrado imagens dos estudantes em situações de exposição íntima durante esses encontros. A prisão ocorreu dentro do próprio centro de treinamento, enquanto Gayeski organizava uma viagem da equipe para uma competição em Florianópolis.
Conselho Tutelar age e Federação suspende o treinador
Diante da gravidade das suspeitas, a Polícia Civil acionou o Conselho Tutelar para localizar e comunicar os responsáveis por adolescentes menores de idade que moram no alojamento da instituição e são de outros municípios. Até o momento, os investigadores não divulgaram o número exato de possíveis vítimas, e a apuração segue para identificar outros adolescentes que possam ter sido atingidos.
A Federação Gaúcha de Vôlei suspendeu Leandro Gayeski de todas as atividades oficiais vinculadas à entidade, o que impede sua atuação como treinador, dirigente ou representante institucional enquanto durar o processo. A entidade também encaminhou as informações aos órgãos disciplinares do esporte. O delegado esclareceu que a investigação tem como alvo o proprietário, e não a escola de voleibol como instituição — as turmas femininas, comandadas por outra profissional, não são investigadas.
A Polícia Civil também apura se Gayeski exercia a função de treinador sem a formação exigida: consultado pelos investigadores, o Conselho Regional de Educação Física do Rio Grande do Sul confirmou que ele não tinha habilitação profissional para orientar os treinos. Entre os crimes investigados estão violação sexual mediante fraude, corrupção de menores, fornecimento de bebida alcoólica a adolescentes, armazenamento de imagens de nudez envolvendo menores e exercício ilegal da profissão. O caso continua sob investigação da Polícia Civil.
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