Suspeito é indiciado por vicaricídio após duplo homicídio em Chuvisca
Inquérito foi enviado ao Ministério Público; crime hediondo previsto na nova lei pode resultar em até 40 anos de prisão.

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o duplo homicídio ocorrido em Chuvisca na madrugada de 9 de outubro, crime que matou um homem de 56 anos e seu filho, de 17 anos, dentro de uma residência na zona rural do município. Conduzida pela Delegacia de Polícia de Camaquã, a investigação resultou no indiciamento do suspeito por vicaricídio e homicídio qualificado, crimes hediondos que juntos podem levar a penas de até 40 anos de reclusão.
Motivação apontada pela investigação
De acordo com a Polícia Civil, o crime está diretamente relacionado ao fim de um relacionamento. A ex-companheira do investigado havia encerrado a relação poucas semanas antes dos assassinatos, mas o homem não aceitava a separação e insistia em tentativas de reconciliação, mesmo diante de recusas sucessivas.
Segundo os investigadores, o suspeito teria decidido atingir o pai e o irmão da ex-companheira como forma de causar sofrimento emocional e puni-la pelo término do relacionamento. A conclusão do inquérito se baseou em depoimentos de familiares e testemunhas ouvidos pela Delegacia de Polícia de Camaquã, além de diligências realizadas desde o dia do crime. O investigado foi preso em flagrante na própria madrugada dos assassinatos, depois de entrar em contato com a Brigada Militar para relatar o que havia feito.
Diferença nos enquadramentos jurídicos
A Polícia Civil aplicou classificações distintas para cada vítima, apesar de a motivação ser a mesma nos dois casos. Para o homem de 56 anos, pai da ex-companheira do investigado, o indiciamento foi por vicaricídio, crime tipificado pela Lei nº 15.384/2026. A legislação enquadra como vicaricídio a morte de familiares ou de pessoas sob responsabilidade direta de uma mulher, cometida com o objetivo de causar sofrimento, punição ou controle em contexto de violência doméstica e familiar. É considerado crime hediondo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão.
Já a morte do adolescente de 17 anos, irmão da ex-companheira do suspeito, recebeu o enquadramento de homicídio qualificado. Conforme explicado pela Polícia Civil, a lei do vicaricídio protege ascendentes, descendentes, dependentes, enteados e pessoas sob guarda da mulher, mas não inclui irmãos de forma expressa. A investigação também não encontrou elementos que comprovassem relação de dependência ou responsabilidade direta entre o jovem e a irmã, o que levou ao enquadramento penal distinto. O homicídio qualificado também é crime hediondo, com pena de 12 a 30 anos de prisão.
Próximos passos no processo
Com a conclusão das diligências, a Delegacia de Polícia de Camaquã encaminhou o inquérito ao Ministério Público, que vai analisar as provas reunidas e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça. O órgão também pode adotar uma classificação jurídica diferente da apresentada pela Polícia Civil. O investigado permanece preso enquanto o caso avança para as próximas etapas do processo criminal.
A Polícia Civil informou que não vai divulgar novos detalhes sobre o crime, medida que busca preservar o andamento do processo e a privacidade dos familiares das vítimas.
O caso segue agora para a análise do Ministério Público, que terá acesso a todo o material produzido pela Polícia Civil ao longo das diligências. A SulTV acompanha os próximos desdobramentos do processo, incluindo a decisão sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.
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