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Clima

Super El Niño provoca recorde de supertufões no Pacífico em 2026

NOAA projeta que o fenômeno pode se tornar o Super El Niño mais intenso desde o início dos registros, em 1950.

02 de novembro de 2026·Redação SulTV
Previsão para a Costa Doce. Arte: SulTV com dados do Open-Meteo
Previsão para a Costa Doce. Arte: SulTV com dados do Open-Meteo

Um Super El Niño em formação no Oceano Pacífico está por trás de uma das temporadas de tufões mais intensas dos últimos anos. Em 2026, a região do Pacífico Oeste já registrou sete supertufões, número que se aproxima do recorde histórico de 11 sistemas, anotado em 1997 e 1965 — ambos também anos de Super El Niño. O aquecimento anormal das águas do oceano, típico do fenômeno, fornece energia e umidade extras para a formação e intensificação dos ciclones tropicais.

Temporada reúne tufões com força de furacão categoria 5

Entre os sistemas mais extremos da temporada está o tufão Champi, que registrou ventos sustentados de aproximadamente 298 km/h — nível equivalente ao topo da escala Saffir-Simpson, usada para furacões. Champi passou ao sul da ilha de Guam e depois provocou danos expressivos no norte de Taiwan, deixando centenas de pessoas feridas. Em abril, o tufão Sinlaku atingiu intensidade semelhante, também com cerca de 298 km/h, e acertou diretamente as ilhas de Saipan e Tinian, nas Marianas do Norte, com prejuízos estimados em mais de US$ 1,5 bilhão.

Em julho, o supertufão Bavi somou ventos de cerca de 290 km/h ao passar sobre a ilha de Rota, causando interrupções no fornecimento de energia no arquipélago das Marianas. Segundo a NOAA, o Pacífico Oeste é a principal bacia de formação de ciclones tropicais do planeta, com sistemas podendo surgir em qualquer época do ano, embora a atividade mais intensa se concentre entre julho e novembro.

Tufão In-Fa segue monitorado nas proximidades do Japão

O sistema mais recente da temporada, o tufão In-Fa, chegou a alcançar a condição de supertufão e, em seguida, intensidade equivalente à de um furacão categoria 4, com ventos de cerca de 241 km/h, ao passar ao norte das ilhas Marianas. Na atualização mais recente, o ciclone estava praticamente estacionário nas águas a sudeste do Japão, próximo à ilha de Iwo To, com ventos sustentados estimados em 177 km/h.

A previsão do Centro Conjunto de Alerta de Tufões (JTWC) indicava deslocamento inicial para oeste, seguido de mudança para nordeste, com aproximação da região das ilhas Ogasawara, do Japão, sem impacto direto esperado sobre as principais ilhas japonesas. A expectativa é de que o sistema perca força ao seguir para águas mais ao norte, com transição extratropical prevista entre os dias 5 e 6 de novembro.

Fenômeno também é observado por seus efeitos no clima global

O aquecimento registrado no Pacífico Equatorial Central reforça o cenário de Super El Niño. Em setembro, a anomalia de temperatura da superfície do mar superou 2°C, patamar associado a essa classificação extrema — para ser oficialmente confirmada, a anomalia precisa se manter nesse nível por três meses consecutivos. A NOAA projeta probabilidade elevada de que o episódio se torne o mais intenso desde o início dos registros modernos, em 1950.

A confirmação oficial do fenômeno depende da manutenção da anomalia térmica nos próximos meses, acompanhamento que continua em curso por centros meteorológicos internacionais. Episódios de grande magnitude no Pacífico costumam entrar no radar de órgãos de monitoramento climático também no Rio Grande do Sul, dado o histórico de influência do El Niño sobre o regime de chuvas na região nos meses seguintes.

Tags:clima

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