RS registra mais de 150 mil raios em frente quente
Ar quente e úmido vindo da Amazônia alimenta tempestades que podem durar horas sobre a mesma área do estado.

O Rio Grande do Sul registrou mais de 150 mil raios ao longo da segunda-feira (27), quando uma frente quente avançou sobre o estado carregada de ar úmido e aquecido vindo do Centro-Oeste e da Amazônia. O fenômeno, que também atinge cidades do Sul do estado, ocorre porque esse tipo de sistema atmosférico cria as condições ideais para a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, responsáveis por tempestades com forte atividade elétrica.
Por que a frente quente produz tantos raios
Diferente da frente fria, em que o ar frio empurra o ar quente para cima, na frente quente é o ar quente que desliza gradualmente sobre a massa de ar frio junto à superfície. Esse deslizamento ocorre em uma atmosfera rica em umidade e energia, o que favorece a formação de nuvens do tipo cumulonimbus, associadas aos temporais mais fortes.
Dentro dessas nuvens, correntes de ar podem superar 100 quilômetros por hora nos episódios mais intensos, transportando gotas de água, cristais de gelo, neve granular e granizo para cima e para baixo, em colisões que se repetem milhares de vezes. Essas colisões separam cargas elétricas: cristais menores, com carga positiva, sobem ao topo da nuvem, enquanto granizo e partículas maiores, com carga negativa, ficam nas camadas intermediária e inferior — até que o campo elétrico formado seja forte o suficiente para descarregar em forma de raio.
Tempestades que se repetem por horas sobre a mesma região
Frentes quentes costumam permanecer quase estacionárias por muitas horas, o que faz novas células de tempestade se formarem repetidamente sobre as mesmas áreas, mantendo elevado o número de raios por longos períodos. Quando esse cenário se combina com ventos fortes em diferentes níveis da atmosfera, as tempestades ficam mais organizadas e podem evoluir para supercélulas ou linhas de instabilidade, capazes de produzir também granizo grande, vendavais e chuva torrencial.
O monitoramento dessas descargas no Rio Grande do Sul é feito por sensores instalados em satélites, como o GLM a bordo do GOES-19, equipamento capaz de detectar centenas de milhares de raios em apenas 24 horas durante episódios de tempo severo. Só uma parte das descargas chega ao solo, mas são justamente essas que representam risco a pessoas, animais, edificações e redes elétricas nas cidades atingidas.
Novas frentes quentes devem continuar avançando sobre o Rio Grande do Sul nos próximos dias, mantendo o risco de tempestades com forte atividade elétrica em diferentes regiões, incluindo o Sul do estado. Moradores das áreas urbanas devem redobrar a atenção a alertas meteorológicos, já que episódios desse tipo costumam vir acompanhados de vendavais, granizo e volumes expressivos de chuva em curto espaço de tempo.
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