Rios Taquari e Caí sobem rápido e ameaçam nova enchente no RS
Taquari sobe 80 cm por hora em Muçum e Caí avança 44 cm em São Sebastião; risco de cota de inundação até a manhã desta quarta.

Os rios Taquari e Caí apresentam elevação acelerada nas últimas horas e devem atingir cota de inundação ainda durante a madrugada e o início da manhã desta quarta-feira (29), caracterizando a segunda enchente em menos de dez dias nos vales gaúchos. Segundo o monitoramento das estações fluviométricas, o Rio Taquari, em Lajeado, marcava 16,93 metros às 21h30 de terça-feira (28) e subia a 40 centímetros por hora — a cota de inundação na cidade é de 19 metros. No mesmo horário, o Rio Caí, em São Sebastião do Caí, estava em 8,70 metros e avançava 44 centímetros por hora, também próximo da cota de inundação local, de 10 metros.
Chuva forte na Serra alimenta a cheia
A nova elevação dos rios é resultado do volume elevado de chuva registrado na terça (28) e na segunda-feira (27) na Serra e nos Aparados, onde ficam as nascentes e as porções mais altas das duas bacias. Os acumulados variaram entre 100 milímetros e 150 milímetros em diversos pontos, com marcas ainda maiores em áreas isoladas atingidas por uma frente quente. Na bacia do Taquari, o volume de chuva também foi expressivo na porção leste do Planalto Médio.
As previsões indicam a possibilidade de novos volumes elevados de precipitação, por vezes forte a intensa, ao longo da madrugada e do início da manhã desta quarta-feira em toda a extensão das duas bacias. Essa condição mantém a tendência de alta dos rios, já que em Muçum — ponto mais a montante do Taquari — a elevação seguia acelerada, em 80 centímetros por hora às 21h de terça.
Enchente recente ainda está na memória dos vales
A situação preocupa porque, há menos de duas semanas, os dois rios já haviam atingido níveis de inundação nos mesmos vales. Na semana passada, o Rio Caí chegou a 11,4 metros em São Sebastião do Caí, e o Taquari se aproximou dos 25 metros em Lajeado, valores que provocaram transtornos a moradores e ao comércio das cidades atingidas.
Outro indicador acompanhado é a vazão do Rio das Antas na Usina Hidrelétrica 14 de Julho, entre Bento Gonçalves e Cotiporã, que na enchente de maio de 2024 superou 15 mil metros cúbicos por segundo. Às 21h desta terça-feira, a vazão no mesmo ponto estava em 3 mil metros cúbicos por segundo e ainda em elevação, um patamar mais baixo do que o do episódio histórico, mas que reforça o alerta para o comportamento da bacia nas próximas horas.
A expectativa é de que a definição do tamanho da cheia ocorra ao longo da manhã desta quarta-feira, conforme a resposta dos rios ao volume de chuva das últimas 48 horas. Moradores das áreas mais baixas dos vales do Taquari e do Caí devem seguir atentos às orientações dos órgãos de Defesa Civil dos municípios, já que a subida dos níveis pode se intensificar rapidamente nas próximas horas.
Com informações de metsul.com
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