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Produção industrial recua 0,6% em agosto e setor perde dinamismo no ano

Juros elevados e comprometimento da renda das famílias ajudam a explicar retração, aponta IBGE

02 de outubro de 2026·Redação SulTV
Produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto, segundo o IBGE
Produção industrial brasileira recuou 0,6% em agosto, segundo o IBGE

A produção da indústria brasileira recuou 0,6% em agosto deste ano na comparação com julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal divulgada nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reforça a perda de ritmo do setor no segundo quadrimestre e tem impacto direto na economia da Zona Sul do Rio Grande do Sul, que depende de atividades como alimentos e agroindústria.

Perda acumulada no quadrimestre

Em julho, a indústria havia registrado leve alta de 0,1%, mas o setor acumulou perdas de 1% em maio e de 1,6% em junho. Segundo o pesquisador do IBGE André Macedo, nos últimos quatro meses a produção industrial acumula queda de 3,1%, o que reduz os ganhos de 4,3% registrados no primeiro quadrimestre do ano.

De acordo com Macedo, a indústria está 1,3% acima do patamar anterior à pandemia, de fevereiro de 2020, mas 15,6% abaixo do ponto mais alto da série histórica, atingido em maio de 2011. Na comparação com agosto do ano passado, houve recuo de 1,2%. Já nos acumulados do ano e de 12 meses, a produção apresenta altas de 0,8% e de 0,6%, respectivamente.

Juros e renda explicam retração

Um dos fatores apontados para o comportamento da indústria é a taxa de juros ainda elevada. "A política monetária com essa característica mais restritiva, embora tenha já sido observado cortes nessa taxa de juros, mas ainda assim em patamares elevados, tem impactos diretos sobre os níveis de inadimplência não só de empresas, mas também de famílias", afirma Macedo.

Segundo o pesquisador, o comprometimento da renda disponível das famílias e o adiamento das decisões de investimento pelas empresas ajudam a explicar a perda do setor, mesmo com um mercado de trabalho resiliente, com número recorde de pessoas ocupadas e crescimento na massa de rendimentos.

Ramos com maiores quedas

Dezesseis dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram queda de julho para agosto, com destaque para produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%). Entre as nove atividades em alta, sobressaem produtos alimentícios (1%), produtos diversos (8,4%), produtos químicos (0,9%) e metalurgia (0,8%).

As quatro grandes categorias econômicas recuaram no período. As principais quedas foram entre os bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e os bens de consumo duráveis (-1%). Os bens de capital caíram 0,6% e os bens intermediários recuaram 0,2%.

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