Presidente do Paraguai renuncia após colapso de banco digital
Saída interrompe articulação do Congresso paraguaio para abrir impeachment e encerra ciclo iniciado em 2023 à frente do Partido Colorado.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política desencadeada pelo colapso do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos. A decisão foi anunciada horas depois de o Congresso paraguaio iniciar articulações para abrir um processo de impeachment contra o presidente e o vice-presidente.
Colapso do banco Ueno agrava crise política
O banco digital Ueno encerrou as atividades nos dias que antecederam a renúncia, impedindo que clientes tivessem acesso aos valores depositados na instituição. Santiago Peña já havia sido acionista do grupo empresarial controlador do banco, fato que elevou a pressão política sobre o governo logo após o fechamento ser confirmado.
Parlamentares de oposição cobraram explicações do presidente e acusaram o Banco Central do Paraguai de omissão na fiscalização da instituição financeira. A insatisfação popular com o episódio acelerou as articulações no Congresso para a abertura de um processo de impeachment contra Peña, com discussões que incluíam também o possível afastamento do vice-presidente.
Trajetória de Peña e o domínio do Partido Colorado
Aos 47 anos, Santiago Peña assumiu a Presidência do Paraguai em abril de 2023, depois de derrotar Efraín Alegre e garantir a permanência do Partido Colorado no comando do país. Economista formado pela Universidad Católica Nuestra Señora de Asunción, com pós-graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, ele atuou no Banco Central do Paraguai e no Fundo Monetário Internacional, onde trabalhou em atividades ligadas ao continente africano, antes de se dedicar à política partidária.
Peña comandou o Ministério da Fazenda entre 2015 e 2017, no governo de Horacio Cartes, período em que fortaleceu sua projeção política dentro do Partido Colorado. Em 2018, tentou a candidatura presidencial da legenda, mas perdeu a disputa interna para Mario Abdo Benítez. Cinco anos depois, venceu a disputa interna e a eleição presidencial de 2023.
A renúncia de Santiago Peña representa um raro momento de instabilidade institucional para o Partido Colorado, legenda que domina a política paraguaia desde a década de 1950 e esteve à frente do país mesmo durante a ditadura de Alfredo Stroessner, entre 1954 e 1989. O desfecho do processo de impeachment e a definição do novo comando do governo paraguaio devem permanecer no centro da atenção política na região nas próximas semanas.
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