Prefeito de São Lourenço do Sul vai à Justiça contra Estado e União por prejuízos de enchentes
Zelmute Marten diz que município não tem mais como sustentar sozinho R$ 2 bilhões em danos acumulados em 30 anos de eventos climáticos extremos

O prefeito de São Lourenço do Sul, Zelmute Marten, anunciou que vai protocolar uma ação judicial contra o Estado do Rio Grande do Sul e a União para pedir ressarcimento pelos prejuízos causados por eventos climáticos extremos na região. Em entrevista à Redação SulTV, ele disse que um relatório da Defesa Civil Estadual aponta perdas econômicas de mais de R$ 2 bilhões em 30 anos e que o município não tem mais condições de sustentar esse custo sozinho.
Assista mais no canal da SulTV no YouTubeO anúncio veio depois de um novo episódio de chuvas intensas no município. Marten decretou situação de emergência tipo 2 na última sexta-feira (14 de agosto), depois de uma sequência de temporais que começou no dia 6 do mês. No sábado (15), a Defesa Civil Estadual fez uma inspeção técnica no município para confirmar as informações registradas no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2D), base usada para a homologação da emergência.
No fim de semana, a chuva voltou a piorar: a previsão era de 35 milímetros para domingo (16), mas choveram mais de 70 milímetros na cidade, além de mais de 100 milímetros na zona rural. O volume, somado a rajadas de vento que sopraram da Lagoa dos Patos em direção ao arroio São Lourenço, fez os dois cursos d'água transbordarem. Segundo o prefeito, cerca de 2 mil casas ficam em áreas de risco nas margens do arroio São Lourenço, da Lagoa dos Patos e do rio Camaquã — moradores que, segundo ele, ainda carregam o trauma da enchente de 2011.
Diante da situação, a prefeitura ativou o plano de contingência com Defesa Civil, universidades e órgãos de segurança, e suspendeu as aulas na zona rural até quarta-feira (19), por conta de estradas intransitáveis. "É completamente anormal", disse Marten sobre a temperatura de 18°C registrada em pleno mês de agosto, que atribuiu a um "ponto de não retorno da crise climática" associado ao El Niño de 2026.
Ação contra Estado e União
O prefeito afirmou que já articula a ação judicial contra o Estado e a União para cobrar ressarcimento pelos prejuízos acumulados. "Recebi um relatório da Defesa Civil Estadual com dados do S2D que indicam que, nos últimos 30 anos, os prejuízos estimados na economia de São Lourenço do Sul com eventos climáticos extremos passam de R$ 2 bilhões", afirmou.
Para Marten, o custo não pode mais recair só sobre o orçamento municipal. "O estamento burocrático impede que a emergência e a calamidade sejam tratadas com a urgência que a população necessita. E aí resta ao município tratar dessa urgência com a sua comunidade", disse, ao defender maior agilidade das defesas civis estadual e federal na liberação de recursos.
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