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Pelotas recolhe 111 toneladas de lixo que trava drenagem

Cada casa de bombas parada deixa até 150 mil litros de chuva sem escoar por minuto, aponta o Sanep.

22 de agosto de 2026·Redação SulTV
Resíduos acumulados às margens de canal urbano de Pelotas comprometem o escoamento das águas pluviais.
Resíduos acumulados às margens de canal urbano de Pelotas comprometem o escoamento das águas pluviais.

Pelotas recolheu 111 toneladas de resíduos das margens de cinco canais de macrodrenagem em um mutirão realizado pela Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (Ssui) na quarta-feira (19), na zona urbana da cidade. O descarte irregular de lixo doméstico em ruas, bueiros e canais tem prejudicado o funcionamento das sete casas de bombas responsáveis pelo escoamento das águas pluviais, ampliando o risco de alagamentos durante os períodos de chuva intensa registrados nas últimas semanas.

Chuva acima da média eleva nível do canal São Gonçalo

Entre 19 de julho e 20 de agosto, Pelotas registrou 436 milímetros de chuva, conforme dados do Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa Clima Temperado, período de precipitação considerada acima da média para a estação. O volume elevou o nível do canal São Gonçalo a 1,90 metro na quinta-feira (20), com leve recuo para 1,74 metro na manhã da sexta-feira (21), em medição feita na região do Porto.

Embora ainda distante da cota de inundação, essa altura já é suficiente para impedir o escoamento das águas por gravidade, fazendo com que a drenagem da cidade dependa exclusivamente das sete casas de bombas operadas pelo Sanep. É nesse contexto que o descarte irregular de lixo se torna crítico: cada equipamento tem vazão de até 2,5 mil litros de água por segundo, e cada minuto de parada para limpeza retira 150 mil litros do sistema de drenagem.

Lixo doméstico é o maior obstáculo ao bombeamento

Segundo o diretor-presidente do Sanep, Ellemar Wojahn, o maior entrave para manter o sistema de bombeamento em pleno funcionamento é a necessidade de interromper parcialmente os equipamentos para retirar os resíduos arrastados pelas águas até as casas de bombas.

O volume recolhido no mutirão de quarta-feira, realizado nos canais da avenida Cidade do Rio Grande, da rua Dr. Mário Meneghetti, do prolongamento da avenida Bento Gonçalves e da rua Barão de Mauá, equivale a cerca de 45% das 250 toneladas de resíduos orgânicos que o Sanep recolhe diariamente porta a porta em todo o município.

No primeiro semestre deste ano, os serviços de micro e macrodrenagem conduzidos pela Ssui e pelo Sanep resultaram na retirada de 2,2 mil cargas de resíduos ao longo de 53 quilômetros de canais e valetas — uma dimensão que mostra o tamanho do desafio enfrentado pela cidade a cada temporada de chuvas.

Como descartar corretamente e evitar multa

O Código Municipal de Limpeza Urbana de Pelotas, fundamentado pela Lei nº 4354/1999, prevê multa para quem descarta resíduos de forma irregular em vias, bueiros e canais da cidade. Materiais volumosos, como móveis, podas, pneus e entulho de construção civil, devem ser levados aos Ecopontos Municipais, enquanto o lixo doméstico precisa ser separado e disposto nos dias e horários da coleta orgânica e seletiva do bairro.

A cidade conta com quatro Ecopontos: Cerquinha, na rua Engenheiro Hugo Veiga, 155; Gotuzzo, na rua Machado de Assis, ao lado do reservatório R7; JK, na avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, 3.195; e Laranjal, na rua Bom Jesus, 95, no balneário Valverde. O funcionamento é de segunda a sábado, das 8h às 12h e das 13h às 17h, e o guia completo sobre dias de coleta e separação de resíduos está disponível no site da Prefeitura de Pelotas, em pelotas.com.br/lixo.

Enquanto o nível dos canais permanecer elevado, o escoamento das águas pluviais seguirá dependendo exclusivamente das casas de bombas, o que reforça a importância do descarte correto dos resíduos por parte da população. Sanep e Ssui devem manter os mutirões de limpeza nos canais de macrodrenagem como parte da rotina de manutenção do sistema pluvial da cidade.

Com informações de pelotas.rs.gov.br

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