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PEC da escala 6x1 avança no Senado rumo às 40 horas semanais

Se aprovada, jornada cai em duas etapas: 42 horas em 60 dias e 40 horas em até 12 meses, sem corte de salário.

29 de agosto de 2026·Redação SulTV
Funcionário de comércio consulta escala de trabalho; PEC da 6x1 avança no Senado com previsão de dois dias de folga.
Funcionário de comércio consulta escala de trabalho; PEC da 6x1 avança no Senado com previsão de dois dias de folga.

A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e entrou na etapa decisiva de tramitação no Congresso. O texto, mantido sem alterações em relação ao aprovado pela Câmara dos Deputados, reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos. A mudança afeta diretamente trabalhadores do comércio, da alimentação e dos serviços em cidades como Tapes e no restante do Sul do RS, onde boa parte do comércio funciona quase todos os dias da semana.

Como fica a nova jornada de trabalho

O relator da matéria no Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), decidiu manter integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as emendas apresentadas por outros parlamentares. A estratégia evita que a proposta precise retornar à Casa de origem caso seja aprovada pelo Senado sem mudanças. Atualmente, a Constituição fixa a jornada máxima em 44 horas semanais; pela PEC 221/2019, esse limite passa a ser reduzido de forma gradual, sem qualquer corte nos salários dos trabalhadores.

Se aprovada e promulgada, a redução ocorre em duas etapas. Após 60 dias de vigência, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais. Depois de 12 meses, o limite passa definitivamente para 40 horas por semana. O texto também garante dois dias de descanso remunerado, mas isso não significa substituir a escala 6x1 por uma rotina fixa de segunda a sexta para todos: a organização pode variar conforme a atividade e os acordos ou convenções coletivas de cada setor.

Divergências entre trabalhadores e setor produtivo

O debate ganhou força principalmente entre quem trabalha em comércio, serviços, alimentação, hotelaria e supermercados — atividades que funcionam praticamente todos os dias da semana em cidades como Tapes, Camaquã e São Lourenço do Sul. Para os defensores da mudança, os dois dias de descanso podem reduzir o desgaste físico e mental e ampliar o tempo disponível para família e lazer.

Já representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os custos de uma jornada menor sem redução salarial, citando a necessidade de reorganizar equipes e, em alguns casos, contratar mais funcionários — o que pode pesar especialmente sobre pequenos negócios de comércio e serviços. Do outro lado, os defensores da PEC argumentam que a redução pode vir acompanhada de ganhos de produtividade e até estimular a criação de novos empregos.

Próximos passos no Senado

O parecer favorável já foi apresentado na CCJ, mas ainda precisa ser votado pela comissão e, na sequência, pelo Plenário do Senado. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação. Se o Senado aprovar o texto exatamente como veio da Câmara, a PEC segue direto para promulgação; caso haja qualquer alteração, a proposta retorna para nova análise dos deputados. Até lá, a escala 6x1 permanece autorizada e não sofre nenhuma mudança na prática.

A tramitação da PEC deve continuar avançando nas próximas semanas no Senado, com data de votação na CCJ ainda a ser confirmada. A SulTV acompanha o andamento da proposta e os desdobramentos para trabalhadores e empresas do comércio e dos serviços do Sul do RS.

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