Pacífico atinge Super El Niño com anomalia de +2,9°C
Pico do fenômeno é esperado entre novembro e dezembro, podendo chegar a +4°C, aponta monitoramento da NOAA.

O Oceano Pacífico Equatorial entrou na categoria de Super El Niño por todos os critérios oficiais de monitoramento, segundo boletim divulgado nesta semana pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). A anomalia de temperatura na região Niño 3.4, referência global para medir o fenômeno, chegou a +2,9°C — patamar que projeta reflexos sobre o regime de chuvas e temperaturas no Rio Grande do Sul nos próximos meses.
Dois índices, mesmo resultado: anomalia recorde
Pelo índice tradicional ONI (Oceanic Niño Index), que compara a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 com uma média histórica de 30 anos, a anomalia chegou a +2,9°C. O valor está na faixa classificada como El Niño muito forte, próxima do limite considerado intenso, e bem acima do patamar de +2°C usado para caracterizar informalmente um Super El Niño.
A novidade deste boletim é que o índice RONI (Relative Oceanic Niño Index), criado para descontar o aquecimento de longo prazo dos oceanos, também cruzou a marca de +2°C pela primeira vez neste evento. É apenas a segunda vez que esse indicador atinge o patamar de Super El Niño desde o episódio de 2015-2016, quando chegou a +2,7°C em novembro daquele ano.
Fenômeno mais precoce da era moderna
O aquecimento do Pacífico neste ano se destaca pela velocidade: a marca de +2°C pelo índice ONI foi atingida já na semana de 8 de julho, a mais cedo já registrada em episódios recentes. Para comparação, o Super El Niño de 1982-1983 só chegou a essa intensidade em novembro, o de 1997-1998 em setembro e o de 2015-2016 também em setembro, dias depois do marco deste ano.
Modelos numéricos indicam que o pico do fenômeno deve ocorrer entre novembro e dezembro, com estimativas apontando anomalia próxima de +4°C pelo índice ONI. Se confirmado, o valor superaria os recordes dos eventos de 1982-1983 e 2015-2016 e marcaria o Super El Niño mais intenso já registrado em quase 170 anos de observações.
O que isso significa para o Sul do RS
A intensidade do El Niño não se traduz automaticamente em mais chuva ou calor para cada região — cada evento tem comportamento próprio, influenciado pela posição das águas quentes e pela circulação atmosférica. O episódio atual é mais forte do que o registrado em 2023, mas até o momento trouxe menos chuva ao Rio Grande do Sul do que aquele ano, enquanto em outras regiões do país o fenômeno tem sido associado a ondas de calor.
Moradores da Costa Doce e do Sul do estado devem acompanhar os boletins de órgãos oficiais como o INMET e a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, que devem detalhar ao longo dos próximos meses como o fenômeno vai se refletir na temporada de chuvas e no verão na região.
Com o pico da anomalia projetado para o fim do ano, a magnitude do Super El Niño de 2026 já entra para a história da série de monitoramento da NOAA. Para o Sul do RS, o desdobramento prático — mais chuva, temporais ou apenas oscilação de temperatura — ainda depende de como o fenômeno vai interagir com outros padrões atmosféricos nos próximos meses.
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