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Oceanos batem recorde de 21,10°C com El Niño forte em 2026

Índice do fenômeno chegou a +2,7°C em agosto, e a Organização Meteorológica Mundial projeta intensificação até outubro.

26 de agosto de 2026·Redação SulTV
Águas da Lagoa dos Patos em Tapes, região costeira do Sul do RS mais exposta a chuva intensa e maré alta.
Águas da Lagoa dos Patos em Tapes, região costeira do Sul do RS mais exposta a chuva intensa e maré alta.

A temperatura média da superfície dos oceanos do planeta chegou a 21,10°C em 22 de agosto, o maior valor da série histórica medida desde 1979 pelo programa europeu Copernicus. O dado chama atenção por ter surgido fora do período em que o planeta costuma registrar os maiores números, normalmente entre março e abril. Para municípios costeiros do Sul do Rio Grande do Sul, caso de Tapes, o fenômeno interessa porque água mais quente está associada a chuvas mais intensas e à elevação do nível de rios e lagoas em áreas baixas.

Recorde aparece fora da época esperada

A marca de 21,10°C superou, por margem mínima, o recorde anterior de 21,09°C, registrado em março de 2024. A diferença entre os dois números é pequena, mas o momento do ano em que o novo patamar apareceu torna o episódio mais significativo: os oceanos costumam atingir seu pico global de temperatura logo após o verão do Hemisfério Sul, e não em agosto.

Parte da explicação está no El Niño de 2026, fenômeno de aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial que vem se fortalecendo rapidamente. Levantamento do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade, da Universidade Columbia, mostra que o índice Niño 3.4 chegou a +2,7°C na semana centrada em 12 de agosto, ante uma média de +1,51°C entre maio e julho. Em julho, a Organização Meteorológica Mundial já havia alertado que o fenômeno deveria seguir se intensificando entre agosto e outubro.

Água mais quente altera clima e litoral

Os oceanos funcionam como um grande reservatório de calor do planeta, absorvendo boa parte da energia acumulada no sistema climático e parte do dióxido de carbono da atmosfera. Quando as águas esquentam além do normal, aumentam as chamadas ondas de calor marinhas, períodos que podem provocar estresse em espécies, alterar a distribuição de peixes, favorecer o branqueamento de corais e degradar pradarias marinhas.

Mais calor na superfície também significa mais energia e umidade disponíveis para a atmosfera, o que pode favorecer episódios de chuva intensa e fortalecer sistemas de tempestade, dependendo das condições meteorológicas de cada região. O aquecimento ainda contribui para a elevação do nível do mar, porque a água se expande ao esquentar, processo que se soma ao derretimento de geleiras. Para municípios à beira da Lagoa dos Patos, como Tapes, esse tipo de mudança é o que pode se refletir em áreas baixas e na rotina de quem vive perto da água.

El Niño pode se intensificar ainda mais

O relatório de agosto do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade aponta que praticamente todos os modelos analisados projetam condições de El Niño muito forte nos próximos meses. Em uma das projeções, 15 dos 26 modelos indicam anomalias de 3°C ou mais no índice Niño 3.4 durante o pico previsto do fenômeno.

Isso não garante que todos os oceanos do planeta terão aumento semelhante, já que o El Niño é um fenômeno regional do Pacífico que produz efeitos globais por meio da atmosfera. Mas ele acrescenta calor a um sistema que já vinha se aquecendo havia décadas, o que explica por que climatologistas consideram o novo recorde compatível com essa tendência de longo prazo — e apontam que ele pode voltar a ser superado nos próximos meses.

Órgãos como a Organização Meteorológica Mundial devem seguir acompanhando a evolução do El Niño nos próximos meses, com novas atualizações previstas até outubro, período em que o fenômeno deve atingir sua força máxima. Para a Costa Doce e demais municípios banhados por rios e lagoas, o desdobramento prático estará nos boletins de chuva e nível de água que costumam acompanhar esse tipo de episódio climático.

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