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Clima

Nível do Guaíba volta a cair após repique no fim de semana

Régua do Cais Central marca 2,38 metros, abaixo do pico de 2,53 m atingido na sexta-feira.

03 de agosto de 2026·Redação SulTV
Régua eletrônica no Cais Central mede o nível do Guaíba, referência do monitoramento da cheia.
Régua eletrônica no Cais Central mede o nível do Guaíba, referência do monitoramento da cheia.

O nível do Guaíba encerrou o fim de semana em queda, depois de um repique breve provocado pela chegada de uma frente fria. Na manhã de domingo (2), a régua eletrônica do Cais Central, na Avenida Mauá, no Centro Histórico de Porto Alegre, registrou 2,38 metros — abaixo do pico de 2,53 metros medido na sexta-feira (31), quando o rio superou a cota de alerta de 2,50 metros. A oscilação de fim de semana, provocada por ventos do quadrante Sul na Lagoa dos Patos, foi pequena e temporária, com o cenário voltando a favorecer a queda gradual do nível nos próximos dias.

Pico na sexta e reversão pelo vento Norte

O pico da cheia atual ocorreu na sexta-feira (31), quando o nível do Guaíba ultrapassou a cota de alerta de 2,50 metros. Nas horas seguintes, o rio iniciou uma trajetória de queda que se intensificou ao longo do sábado (1), favorecida pelo vento do quadrante Norte, que acelerou o escoamento das águas em direção à Lagoa dos Patos — bacia que banha municípios da Costa Doce, como Tapes, Arambaré e Camaquã.

No fim do sábado, a chegada de uma frente fria trouxe ventos do quadrante Sul à Lagoa dos Patos. Esse tipo de vento tende a represar o escoamento das águas na região Norte da lagoa, empurrando o nível do Guaíba de volta para cima. O efeito, no entanto, foi limitado: o nível, que estava em 2,39 metros, chegou a um pico de repique de apenas 2,43 metros na madrugada de domingo, antes de retomar a queda.

Rios ainda por chegar mantêm nível elevado

Os picos de vazão dos rios Taquari e Caí já alcançaram o Guaíba, o que explica boa parte da queda observada ao longo do fim de semana. Ainda assim, o nível deve seguir elevado nos próximos dias, à espera da vazão dos rios Jacuí e Sinos, que ainda não atingiram seus picos de cheia. Como cada bacia tem dimensões e tempos de escoamento diferentes, os volumes chegam ao Guaíba em momentos distintos, o que torna a previsão do nível uma tarefa mais complexa do que a de um rio isolado.

Régua do Cais Central é referência histórica

A medição usada como referência para o nível do Guaíba vem da régua eletrônica instalada no Cais Central da Avenida Mauá, ponto oficial de monitoramento da cidade há 150 anos, cuja cota de inundação é de 3,00 metros — valor amplamente conhecido pela população de Porto Alegre. A estação é considerada a mais confiável porque foi a única que permaneceu em operação durante toda a enchente de 2024, graças a uma tecnologia mais recente de coleta de dados, e porque sua medição de pico ficou mais próxima da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro para o desastre daquele ano.

A tendência é de o nível do Guaíba seguir alto nos próximos dias, enquanto a vazão dos rios Jacuí e Sinos ainda chega à bacia, mas com trajetória de queda gradual à medida que esses volumes se somem ao escoamento em direção à Lagoa dos Patos. Moradores de Porto Alegre e das cidades banhadas pela lagoa, como as da Costa Doce e do Sul do Estado, devem continuar de olho nas variações do nível, especialmente em dias de vento mais forte do quadrante Sul, que costuma represar as águas e elevar o nível de forma temporária.

Tags:clima

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