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Milho atinge 75% de estabelecimento na área cultivada no RS

Emater estima produtividade de 7,7 mil kg por hectare, mas granizo de setembro já reduziu o potencial em áreas do Estado.

10 de outubro de 2026·Redação SulTV
Lavoura de milho em estágio inicial de desenvolvimento no Rio Grande do Sul
Lavoura de milho em estágio inicial de desenvolvimento no Rio Grande do Sul

O cultivo de milho no Rio Grande do Sul atingiu nível satisfatório de estabelecimento em 75% da área prevista para a temporada 2026/2027, que soma 896.401 hectares. O dado foi divulgado pela Emater/RS-Ascar em informativo publicado na quinta-feira (8), com predomínio de lavouras em fase de germinação, emergência e início do desenvolvimento vegetativo. A evolução da cultura, que é insumo direto da ração animal e pesa no preço de carnes, leites e ovos, avança condicionada pela umidade elevada do solo e por chuvas intensas nas principais regiões produtoras do Estado.

Produtividade projetada é alta, mas depende da chuva

Nas áreas com bom estabelecimento, a expectativa de produção está elevada. A Emater/RS-Ascar projeta produtividade média de 7.711 quilos por hectare para o milho da temporada de verão, volume que reforça o papel do Estado no abastecimento de grãos usados na alimentação animal.

O avanço da implantação segue condicionado pela umidade do solo e pela recorrência de chuvas intensas nas principais regiões produtoras. Apesar do cenário favorável em boa parte das lavouras, eventos climáticos recentes já reduziram o potencial produtivo em pontos específicos do território gaúcho.

Granizo de setembro deixa danos localizados

Temporais registrados no final de setembro, com ocorrência de granizo em diferentes regiões do Estado, provocaram falhas de estande, danos a folhas e plantas e processos de erosão em áreas atingidas. O resultado foi a perda de potencial produtivo em parte das lavouras alcançadas pelos eventos.

Nas áreas que não sofreram danos, avançam as etapas de manejo: a adubação nitrogenada em cobertura e o controle de insetos. Há registro pontual de percevejos, grilos e cigarrinha-do-milho, mas a pressão desses insetos está baixa ou em redução em parte das lavouras, segundo a Emater/RS-Ascar.

Milho destinado à ração animal também sente o clima

A implantação do milho destinado à produção de silagem, usado na alimentação do gado leiteiro e de corte, ficou estagnada em razão da elevada umidade dos solos e da recorrência de chuvas. Até o momento, cerca de 50% da área total prevista — estimada pela Emater/RS-Ascar em 369.389 hectares — já foi implantada, com germinação e emergência satisfatórias e início da fase de desenvolvimento vegetativo.

Períodos de baixa temperatura, nebulosidade e baixa radiação solar têm limitado o crescimento em algumas áreas. Nas regiões Centro-Oeste e Noroeste do Estado, chuva intensa, granizo e vento provocaram danos localizados, com redução de área foliar, acamamento de plantas e necessidade de reimplantação em pontos mais afetados. A produtividade estimada para o milho silagem é de 38.392 quilos por hectare.

A Emater/RS-Ascar deve atualizar o acompanhamento das lavouras nas próximas semanas, conforme a evolução do clima no Estado. Para quem vive nas cidades do Sul do Rio Grande do Sul, o resultado final do cultivo tende a repercutir no custo da ração animal e, por consequência, no preço de carnes, leites e ovos nos próximos meses.

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