Mãe e padrasto são condenados por morte e tortura de crianças em Santa Vitória do Palmar
Júri fixou penas superiores a 34 anos de prisão em regime fechado para os dois réus.

Mãe e padrasto foram condenados pelo Tribunal do Júri de Santa Vitória do Palmar pela morte de uma menina de 2 anos e pela tortura da criança e da irmã dela, então com 3 anos. A sessão começou na terça-feira, 1º de setembro, e foi concluída na noite desta quarta-feira, 2 de setembro. A mulher recebeu pena de 35 anos, 5 meses e 28 dias de reclusão, e o homem, 34 anos, 11 meses e 5 dias de prisão, ambos em regime inicial fechado.
Agressões ao longo de meses
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul, os crimes ocorreram entre julho e novembro de 2022, em Santa Vitória do Palmar. No período, as duas crianças foram submetidas a sucessivas agressões físicas e castigos praticados pela mãe e pelo padrasto.
Entre as violências apuradas na investigação estão espancamentos com cintos e cordas, queimaduras e outras práticas que causaram intenso sofrimento físico e mental às vítimas.
A menina mais nova morreu em 6 de novembro de 2022. Conforme a acusação acolhida pelos jurados, ela foi vítima de espancamento que provocou hemorragia decorrente de traumatismo craniano.
Qualificadoras reconhecidas
O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e crime cometido contra menor de 14 anos, além da causa de aumento de pena pelo fato de o homicídio ter sido praticado pela própria mãe e pelo padrasto da criança.
Também foi reconhecida a prática dos crimes de tortura contra as duas meninas, caracterizada pelas agressões reiteradas e pelos castigos impostos ao longo de meses. A sessão contou com a atuação dos promotores de Justiça Dax Barreto Bogo, de Santa Vitória do Palmar, e Leonardo Giardin de Souza, designado pelo Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ).
Manifestação da acusação
Para o promotor Leonardo Giardin, o resultado representa uma resposta da sociedade à gravidade dos fatos. “O veredicto do Conselho de Sentença é um ato de humanidade e justiça que busca, na medida do possível, reparar um dos capítulos mais trágicos, cruéis e dolorosos com que tive contato em 22 anos de carreira”, afirmou. Segundo ele, os réus tinham o dever legal e moral de proteger as crianças, mas as submeteram a uma rotina de suplícios que resultou na tragédia.
O promotor Dax Bogo destacou o impacto do caso. “Estes crimes chocaram a sociedade vitoriense e todos que atuaram no atendimento às vítimas, desde vizinhos, até profissionais de saúde, do conselho tutelar e da segurança pública. A condenação, da qual recorreremos para majorar as penas, busca trazer algum alívio e sensação de justiça aos familiares das vítimas e demais impactados”, concluiu.
📲 Receba as notícias da região no WhatsApp — siga o Canal da SulTV.
📱 Acompanhe a SulTV no Facebook e no Instagram e fique por dentro do que importa na Costa Doce e no Sul do RS.
Mais de Segurança

Bombeiros temporários voltam à ativa em Bento Gonçalves após 16 anos
Ao todo, 31 bombeiros temporários reforçam a Serra Gaúcha, com permanência de até oito anos na corporação.
VídeoCamaquã é destaque negativo no uso de cinto de segurança, alerta a PRF
Operação de feriado intensifica fiscalização na BR-116 e na BR-290 contra excesso de velocidade, álcool e uso de celular ao volante

GCM de Bento Gonçalves forma novos instrutores de tiro
Curso teve 122 horas-aula e habilita a corporação a treinar o próprio efetivo internamente.