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Leitura de adolescentes tem pior resultado do século, aponta teste global Pisa

Avaliação da OCDE com 760 mil jovens em 91 países liga excesso de telas à queda em leitura, matemática e ciências

08 de setembro de 2026·Redação SulTV
Teste Pisa aponta piores índices de leitura do século entre adolescentes de 15 anos
Teste Pisa aponta piores índices de leitura do século entre adolescentes de 15 anos

Adolescentes de 15 anos apresentaram os piores índices de leitura já registrados neste século, segundo a edição de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta terça-feira. O teste, aplicado a 760 mil jovens em 91 países, mostrou que as notas em leitura, matemática e ciências atingiram seus níveis mais baixos desde o início da coleta de dados, em 2000.

Notas em queda

Em média, os alunos apresentaram um nível de leitura antes esperado de estudantes um ano mais novos. A pontuação máxima de 501 em leitura, registrada em 2012, caiu para 466 no ano passado.

A pontuação em ciências recuou de 506, pico de 2009, para 486, enquanto a de matemática caiu de 502 para 469 no mesmo período. Segundo o estudo, as notas em leitura caíram mais acentuadamente entre alunos de origens mais abastadas.

O Leste Asiático foi a região com melhor desempenho. Cidades chinesas participantes, além de Japão, Coreia, Singapura e Taiwan, tiveram os melhores sistemas educacionais. Reino Unido e Estônia foram os únicos países fora da região entre os dez primeiros em leitura, matemática e ciências.

O peso das telas

"O aumento do tempo gasto diante de telas e a diminuição da leitura por prazer têm andado de mãos dadas com resultados mais fracos", afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. Ele também apontou uma leitura mais apressada, com alunos percorrendo textos às pressas e dando respostas erradas rapidamente.

O relatório não endossou a proibição de smartphones nas escolas, mas associou a distração digital a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados. Mais de um em cada quatro alunos disse que os dispositivos distraem os colegas nas aulas.

Os estudantes relataram passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos para lazer e outras três horas para aprendizagem. Segundo Cormann, o uso acima de cinco horas diárias começa a derrubar os resultados. O estudo apontou ainda que quase metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial para aprender, e quem os utiliza para redigir textos, resumir e pesquisar costuma ter notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências.

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