Incêndio bate recorde de 115 anos e queima 3 mil hectares na Bélgica
Cerca de 500 bombeiros e equipes de cinco países seguem na linha de frente, enquanto ventos fortes previstos preocupam as autoridades.

A reserva natural de Hautes Fagnes, na fronteira da Bélgica com a Alemanha, enfrenta o maior incêndio florestal registrado no país em mais de um século. O fogo, que começou na semana passada, já queimou cerca de 3 mil hectares de vegetação — uma área equivalente à metade da ilha de Manhattan — e mobiliza aproximadamente 500 bombeiros, brigadistas e agricultores voluntários no combate às chamas, que atingem turfeiras, florestas de pinheiros e trilhas de caminhada da região.
Evacuações na fronteira e alívio parcial da chuva
O incêndio chegou a se aproximar da fronteira alemã ao longo do fim de semana, o que levou à ordem de evacuação da cidade de Monschau, do lado alemão. Moradores como Ulrich e Petra Mertens deixaram a própria casa ao perceber o ar tomado por fumaça de odor forte e passaram a noite em um centro comunitário local, acompanhados dos cães da família. A fumaça também motivou a evacuação de duas localidades belgas próximas à área afetada e chegou a ser detectada no leste da França, onde autoridades emitiram alerta de qualidade do ar.
Uma chuva bem-vinda no início da semana trouxe algum alívio às equipes de emergência, e o porta-voz da célula de crise responsável pela operação, Tony Hosmans, afirmou que o fogo parou de avançar, embora ainda não fosse possível declará-lo controlado. Segundo ele, a situação 'pode mudar de acordo com o tempo'. As equipes já se preparavam para enfrentar ventos fortes, previstos para os dias seguintes, o que o chefe do combate a incêndios em Monschau, Philipp Krueger, descreveu como uma 'nova situação' desafiadora para a operação.
Reforço aéreo e mobilização de agricultores
O terreno das Hautes Fagnes, formado por vegetação rasteira, turfeiras e passarelas elevadas de madeira, dificulta a aproximação de veículos pesados, que correm risco de afundar no solo encharcado. Por isso, o combate depende fortemente de apoio aéreo: helicópteros da Alemanha e da Noruega se juntaram às aeronaves da Suécia, da Holanda e da própria Bélgica, que já sobrevoavam a área lançando água sobre os focos mais críticos.
Agricultores da região também entraram na operação, transportando tanques de água até o fogo com o auxílio de tratores, abastecidos em um lago próximo. O produtor rural Romain Monet, de Waremme, revezou turnos com um colega para manter o apoio ao longo do dia e da noite. 'Vamos nos revezar enquanto for necessário — a equipe está preparada', afirmou. O rei Philippe, da Bélgica, visitou a região atingida para acompanhar de perto o esforço de combate.
O incêndio em Hautes Fagnes começou em uma área que já havia sido devastada por grandes focos em 1911, durante outro período de calor extremo e seca prolongada. O episódio se soma a uma sequência de incêndios florestais que atinge diversos países europeus nas últimas semanas, alimentados por um verão historicamente quente — a Bélgica registrou temperaturas de até 37°C na última sexta-feira. As equipes seguem em alerta para os próximos dias, já que qualquer mudança nas condições do tempo pode reacender o avanço das chamas.
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