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Segurança

Incêndio bate recorde de 115 anos e queima 3 mil hectares na Bélgica

Cerca de 500 bombeiros e equipes de cinco países seguem na linha de frente, enquanto ventos fortes previstos preocupam as autoridades.

19 de agosto de 2026·Redação SulTV
Bombeiros combatem incêndio na reserva de Hautes Fagnes, na Bélgica, já com 3 mil hectares queimados.
Bombeiros combatem incêndio na reserva de Hautes Fagnes, na Bélgica, já com 3 mil hectares queimados.

A reserva natural de Hautes Fagnes, na fronteira da Bélgica com a Alemanha, enfrenta o maior incêndio florestal registrado no país em mais de um século. O fogo, que começou na semana passada, já queimou cerca de 3 mil hectares de vegetação — uma área equivalente à metade da ilha de Manhattan — e mobiliza aproximadamente 500 bombeiros, brigadistas e agricultores voluntários no combate às chamas, que atingem turfeiras, florestas de pinheiros e trilhas de caminhada da região.

Evacuações na fronteira e alívio parcial da chuva

O incêndio chegou a se aproximar da fronteira alemã ao longo do fim de semana, o que levou à ordem de evacuação da cidade de Monschau, do lado alemão. Moradores como Ulrich e Petra Mertens deixaram a própria casa ao perceber o ar tomado por fumaça de odor forte e passaram a noite em um centro comunitário local, acompanhados dos cães da família. A fumaça também motivou a evacuação de duas localidades belgas próximas à área afetada e chegou a ser detectada no leste da França, onde autoridades emitiram alerta de qualidade do ar.

Uma chuva bem-vinda no início da semana trouxe algum alívio às equipes de emergência, e o porta-voz da célula de crise responsável pela operação, Tony Hosmans, afirmou que o fogo parou de avançar, embora ainda não fosse possível declará-lo controlado. Segundo ele, a situação 'pode mudar de acordo com o tempo'. As equipes já se preparavam para enfrentar ventos fortes, previstos para os dias seguintes, o que o chefe do combate a incêndios em Monschau, Philipp Krueger, descreveu como uma 'nova situação' desafiadora para a operação.

Reforço aéreo e mobilização de agricultores

O terreno das Hautes Fagnes, formado por vegetação rasteira, turfeiras e passarelas elevadas de madeira, dificulta a aproximação de veículos pesados, que correm risco de afundar no solo encharcado. Por isso, o combate depende fortemente de apoio aéreo: helicópteros da Alemanha e da Noruega se juntaram às aeronaves da Suécia, da Holanda e da própria Bélgica, que já sobrevoavam a área lançando água sobre os focos mais críticos.

Agricultores da região também entraram na operação, transportando tanques de água até o fogo com o auxílio de tratores, abastecidos em um lago próximo. O produtor rural Romain Monet, de Waremme, revezou turnos com um colega para manter o apoio ao longo do dia e da noite. 'Vamos nos revezar enquanto for necessário — a equipe está preparada', afirmou. O rei Philippe, da Bélgica, visitou a região atingida para acompanhar de perto o esforço de combate.

O incêndio em Hautes Fagnes começou em uma área que já havia sido devastada por grandes focos em 1911, durante outro período de calor extremo e seca prolongada. O episódio se soma a uma sequência de incêndios florestais que atinge diversos países europeus nas últimas semanas, alimentados por um verão historicamente quente — a Bélgica registrou temperaturas de até 37°C na última sexta-feira. As equipes seguem em alerta para os próximos dias, já que qualquer mudança nas condições do tempo pode reacender o avanço das chamas.

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