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Guaíba registra 1ª cheia do El Niño e deve chegar a 2,50m

  • Foto do escritor: Redação SulTV
    Redação SulTV
  • há 13 horas
  • 3 min de leitura

Rios Taquari, Jacuí e Caí elevam a vazão do lago, que integra a bacia da Lagoa dos Patos e banha o Sul do Estado; risco de repetir 2024 é considerado nulo em 72 horas.


O Rio Guaíba entrou em cheia nesta sexta-feira (24) pela primeira vez neste episódio de Super El Niño, com o nível medido na régua do Cais Central da Avenida Mauá, no Centro Histórico de Porto Alegre, marcando 2,06 metros no início da madrugada e tendência de elevação gradual. A MetSul Meteorologia projeta que o rio pode atingir entre 2,30 e 2,50 metros nas próximas 48 horas, patamar que amplia o risco de alagamento em pontos baixos das ilhas do Arquipélago e reflete no comportamento da Lagoa dos Patos, sistema hídrico que banha municípios do Sul do Estado, na região da Costa Doce.


Nível do Guaíba na régua do Cais Central da Mauá, em Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (24)

Nível do Guaíba na régua do Cais Central da Mauá, em Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (24)


Rios contribuintes definem o ritmo da cheia


O nível do Guaíba resulta da soma da vazão de cinco rios contribuintes — Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. O Taquari, um dos dois maiores contribuintes, atingiu 24,8 metros em Lajeado na quinta-feira (23), patamar de cheia média a grande, mas já iniciou processo de baixa no vale. O pico da onda de vazão desse rio chega ao delta do Jacuí e ao Guaíba entre esta sexta-feira (24) e o sábado (25).


O Jacuí, principal contribuinte em volume de água do sistema, também está em cheia e superou os 20 metros em Cachoeira do Sul na quinta-feira, valor abaixo dos recordes de 26,5 metros registrados em 1941 e em 2025, e distante dos 29,5 metros da enchente de 2024. Entre os contribuintes menores, o Rio Caí marcou 11,4 metros em São Sebastião do Caí — 1,4 metro acima da cota de inundação —, com a maior vazão prevista para chegar ao Guaíba ainda neste fim de semana. Os rios dos Sinos e Gravataí também estão em cheia, mas sem cotas expressivas e com pouca água adicional a caminho nas próximas 72 horas.


Risco de repetir a tragédia de 2024 é considerado nulo


A combinação das vazões — Jacuí sem cheia de grande porte, Taquari com cheia média a grande, Caí pequeno a médio, e Sinos e Gravataí sem cotas expressivas — resulta em condição de cheia no Guaíba pelas próximas 72 horas, mas sem os patamares perigosos observados nas cheias de 2023 e 2024. A MetSul Meteorologia classifica como zero o risco de repetição do desastre de 2024 nesse intervalo.


Um fator que pode intensificar a subida é o vento: como o Guaíba fica na ponta norte da Lagoa dos Patos, rajadas fortes do quadrante Sul represam o escoamento do lago e, em episódios anteriores, já provocaram elevações extras de até 50 a 70 centímetros. Para os próximos dias, a previsão indica ventos de direções variáveis, sem sinal de vento Sul intenso, o que reduz a chance de uma alta abrupta do nível.


Como acompanhar o nível e o risco de alagamento


O monitoramento mais confiável é feito pela régua eletrônica do Cais Central da Avenida Mauá, no Centro Histórico de Porto Alegre — o único ponto de medição que permaneceu em funcionamento durante toda a enchente de 2024 e cujo registro de pico mais se aproximou da cota máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro naquele desastre.


Nas ilhas do Arquipélago, bairro mais vulnerável da capital, os primeiros alagamentos em pontos baixos costumam ocorrer quando essa régua marca entre 2,2 e 2,3 metros. Com a previsão de o Guaíba chegar a 2,30 e 2,50 metros nas próximas 48 horas, a tendência é de que essas áreas mais baixas sejam atingidas ao longo do fim de semana.


A MetSul Meteorologia alerta que a atenção deve continuar na próxima semana e no início de agosto, quando novas chuvas são esperadas e podem elevar novamente os volumes em diversos pontos das bacias que abastecem o Guaíba e, na sequência, a Lagoa dos Patos. Moradores de áreas ribeirinhas do Sul do Rio Grande do Sul devem acompanhar os boletins de órgãos oficiais de meteorologia e defesa civil ao longo dos próximos dias.


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