Guaíba pode chegar a 2 metros e alagar ilhas de Porto Alegre
- Redação SulTV

- há 1 dia
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Pico da cheia é esperado entre o fim de semana e o início da próxima semana, com repetição das grandes enchentes de 2023 e 2024 descartada.
O nível do Rio Guaíba deve subir de forma acentuada ao longo dos próximos dias em Porto Alegre, com possibilidade de atingir a faixa de 2 metros e provocar os primeiros alagamentos nas ilhas da capital gaúcha. A elevação é puxada pela vazão dos rios da bacia do Jacuí, que recebeu entre 50 mm e 150 mm de chuva entre domingo (19) e terça-feira (21) e segue sendo atingida por novas chuvas. Na manhã de terça-feira, a régua do Cais Central, na Avenida Mauá, no Centro Histórico, marcava 0,96 metro, patamar ainda próximo da média histórica para a época do ano.

Ilhas do Delta do Jacuí são a área de maior risco com a alta do Guaíba nos próximos dias.
Chuva na bacia do Jacuí empurra o rio para cima
Nos últimos dias, os maiores volumes de chuva se concentraram nas porções média e final da bacia do Jacuí, com marcas entre 50 mm e 150 mm entre domingo (19) e terça-feira (21), chuva que também passou a atingir a região das nascentes do rio, no Norte do Estado, ampliando a área que contribui para o aumento de vazão. O Leste do Planalto Médio, a Serra e os Campos de Cima da Serra, onde ficam as bacias dos rios Taquari e Caí, também tiveram chuva forte, com mais precipitação prevista para os dois dias seguintes. As bacias dos rios Sinos e Gravataí registraram acumulados relevantes em alguns pontos, mas devem entrar com volume menor do que Jacuí e Taquari na vazão total que chega ao Guaíba.
Pico da cheia é esperado até o início da semana que vem
Como o pico de elevação do Guaíba só ocorre alguns dias depois da chuva cair nas bacias contribuintes, a maior alta do nível deve se concentrar entre o fim desta semana e o começo da próxima, com o rio podendo se aproximar, ficar ao redor ou superar a marca de 2 metros na régua do Cais Central — patamar em que os primeiros alagamentos nas ilhas de Porto Alegre costumam começar a partir de 2,10 m a 2,20 m. A possibilidade de repetição das grandes cheias de setembro de 2023, novembro de 2023 ou maio de 2024 está descartada, e a tendência é de uma cheia de magnitude pequena a, no máximo, média, sem risco para a área central da cidade. Um fator que poderia agravar o quadro, um vento Sul forte a intenso capaz de represar o rio e somar de 30 cm a 50 cm ao nível, não está previsto no cenário atual, o que reduz a chance de um cenário mais severo.
Por que o assunto interessa também na Costa Doce
O Delta do Jacuí alimenta o Guaíba, que segue rumo à Lagoa dos Patos, para onde caminha, nos dias seguintes, parte do volume de água que agora eleva o nível na capital. Por isso, municípios às margens da lagoa, como Tapes e Arambaré, tendem a sentir reflexos da mesma frente de chuva ao longo da semana, ainda que em ritmo mais lento do que o observado em Porto Alegre. Mesmo com o cenário mais brando descartando uma repetição das grandes enchentes, o acompanhamento dos boletins ao longo dos próximos dias segue recomendado para quem vive perto de rios e da lagoa na região.
A tendência de elevação deve ficar mais clara à medida que a chuva prevista para os próximos dias se confirmar nas cabeceiras dos rios que alimentam o Guaíba. Entre o fim de semana e o início da próxima semana, quando o pico é esperado, a situação deve se definir com mais precisão, inclusive quanto à extensão dos transtornos nas ilhas da capital e aos possíveis reflexos rio abaixo, em direção à Lagoa dos Patos.




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