Guaíba pode atingir cota de alerta de 2,5m em 48 horas
Nível já supera a cheia da semana passada e maior risco de alagamento está nas ilhas de Porto Alegre.

O nível do Guaíba ultrapassou a cheia da semana passada e deve subir com mais força nesta quinta-feira (30) e na sexta-feira (31), com chance de atingir a cota de alerta de 2,5 metros no Cais Mauá, em Porto Alegre. O avanço é resultado da chegada simultânea dos picos de cheia dos rios Taquari, Caí, Jacuí, Sinos e Gravataí — bacias que desaguam no Guaíba e, na sequência, na Lagoa dos Patos, corpo d'água que também banha municípios da Costa Doce.
Cinco rios ainda empurram água para o Guaíba
O Rio Taquari, em Lajeado, registrava 23 metros no fim da madrugada desta quinta-feira e já baixava, depois de um pico de quase 24 metros na noite anterior — cerca de um metro abaixo do observado na semana passada. Já o Rio Caí, em São Sebastião do Caí, marcava 13 metros, com pico de 13,2 metros, bem acima dos 11,4 metros da cheia anterior, e ainda deve subir entre Montenegro e Nova Santa Rita.
O Rio dos Sinos, em São Leopoldo, estava praticamente estável em 4,76 metros, mas a vazão que ainda desce das nascentes, puxada pelo Rio Paranhana, deve elevar o nível na Grande Porto Alegre nos próximos dias. O Rio Gravataí já ultrapassava a cota de inundação de 4,75 metros, registrando 4,96 metros e em elevação. O Rio Jacuí, que mal havia baixado da chuva da semana passada, também deve subir mais, com reflexo em inundações no Centro do estado, na Região Carbonífera e no delta, próximo a Eldorado do Sul.
Maior risco está nas ilhas — mas a água segue até a Costa Doce
O ponto mais sensível da capital é o bairro Arquipélago, onde os primeiros alagamentos começam quando a régua do Cais Central da Avenida Mauá marca entre 2,0 e 2,2 metros. Com a previsão de o Guaíba chegar a marcas entre 2,30 e 2,50 metros nas próximas 48 horas, pontos mais baixos das ilhas podem registrar alagamentos e inundações, com possível remoção de famílias no auge da cheia.
Toda essa água, depois de passar pelo Guaíba, segue seu curso até a Lagoa dos Patos, o mesmo corpo d'água que banha municípios da Costa Doce, como Tapes, Arambaré e Camaquã. Um fator que pode intensificar o quadro é o vento: rajadas fortes do quadrante Sul represam o escoamento na Lagoa dos Patos e, em episódios anteriores, já elevaram o nível do Guaíba entre 50 e 70 centímetros. Para a segunda metade da semana que vem, com o Guaíba ainda alto, existe risco de vento Sul.
Como acompanhar a evolução do nível do Guaíba
O monitoramento oficial é feito pela régua eletrônica instalada no Cais Central da Avenida Mauá, no Centro Histórico de Porto Alegre — ponto de medição usado há 150 anos e que tem cota de inundação estabelecida em 3,00 metros. Esse equipamento foi o único que continuou funcionando durante toda a enchente de 2024, sem sair do ar, e seus registros foram os que mais se aproximaram do pico oficial calculado pelo Serviço Geológico Brasileiro naquele desastre.
Moradores de áreas ribeirinhas do Guaíba e da Lagoa dos Patos podem acompanhar a tendência do nível pelos canais especializados de meteorologia, que atualizam o gráfico hora a hora. A recomendação é redobrar a atenção especialmente entre esta quinta-feira (30) e sexta-feira (31), quando é esperada a subida mais acentuada.
A MetSul Meteorologia reforça que o cenário atual não deve repetir a magnitude das cheias de novembro de 2023 e maio de 2024, mas pede atenção redobrada nos próximos dias. Com picos de cheia de diferentes rios chegando ao Guaíba em momentos distintos, o monitoramento segue necessário não apenas nas próximas 48 a 72 horas, mas também no início da semana que vem.
Com informações de metsul.com
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