FURG revela 30 hortaliças resistentes ao clima em São Lourenço do Sul
Núcleo de Estudos em Agroecologia PancPop testou as espécies contra estiagens, chuvas intensas e geadas, de olho na agricultura familiar.

Uma pesquisa do Núcleo de Estudos em Agroecologia PancPop, ligado à Universidade Federal do Rio Grande (FURG) no Campus São Lourenço do Sul, identificou 30 espécies de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) com bom desempenho mesmo diante de estiagens, chuvas intensas e geadas. O levantamento foi apresentado pela professora Jaqueline Durigon, uma das responsáveis pelo estudo, e aponta essas hortaliças como alternativa concreta para diversificar a produção de alimentos e tornar a oferta mais resistente às oscilações do clima na Costa Doce.
Pesquisa testa resistência de 30 espécies
As PANC são espécies vegetais comestíveis que não fazem parte da lista tradicional de hortaliças cultivadas em grande escala, mas têm valor nutricional e, segundo a pesquisa da FURG, maior capacidade de adaptação a condições adversas. O Núcleo PancPop avaliou o comportamento dessas plantas diante de três cenários climáticos que já afetam a produção na região: períodos de estiagem prolongada, chuvas intensas e geadas fora de época.
Das espécies analisadas, 30 apresentaram desempenho satisfatório mesmo sob essas condições adversas, de acordo com a professora Jaqueline Durigon. O resultado reforça a hipótese de que a diversificação de cultivos pode ser uma ferramenta prática de adaptação às mudanças climáticas, sem depender de variedades únicas mais vulneráveis a quebras de produção.
Potencial para fortalecer a agricultura familiar
Para os pesquisadores, o resultado tem aplicação direta na agricultura familiar da Costa Doce, setor que abastece parte significativa das cidades da região. Incorporar espécies mais resistentes à rotina de produção pode reduzir perdas em anos de clima irregular e ampliar a variedade de alimentos disponíveis para consumo e comercialização local.
A proposta do Núcleo de Estudos em Agroecologia PancPop é dar continuidade ao mapeamento dessas espécies e ampliar o diálogo com produtores da região sobre o uso das PANC, unindo a pesquisa acadêmica feita na FURG Campus São Lourenço do Sul a uma aplicação prática no dia a dia da produção de alimentos.
A tendência é que estudos como esse ganhem mais espaço à medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes na Metade Sul do Rio Grande do Sul. A expectativa do Núcleo PancPop é seguir monitorando o desempenho das espécies já identificadas e ampliar o número de famílias produtoras com acesso a essas alternativas mais resistentes ao clima.
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